Autoritarismo no futebol da CBF

Antero Greco

29 de junho de 2015 | 13h08

Quero distância de autoritarismo, a arma dos intolerantes para manter poder e ficar imune a críticas. Muitos de vocês que agora leem este texto são jovens e não sabem o quanto é sufocante viver sob repressão. Provavelmente não têm ideia de como revolta querer argumentar, falar, defender-se e, além de não ser ouvido, receber punição em troca. É de azedar a alma.

Pois bem, no futebol comandado pela CBF está em vigor uma onda conservadora de dar medo. Sob a alegação de que se pretende evitar abusos de jogadores e técnicos, elaborou-se circular de conduta que obriga árbitros a coibirem de forma enérgica qualquer tentativa de intimidação. O negócio é distribuir amarelos e vermelhos para calar a boca dos inoportunos.

Pronto, deixaram a raposa tomar conta do galinheiro, o que combina com os donos da bola na atualidade. De uns tempos para cá, os homens do apito desandaram a mostrar cartão até para um “boa tarde”ou “boa noite” de que não tenham gostado. Jogador dá dois passos na direção dele e lá vem advertência. Técnico levantou a voz e é excluído do jogo. E muitos aplaudem.

Aplaudem porque, no fundo, não sabem com a divergência, a contestação, a contradição. Porque foram ensinados dessa maneira e acham que o certo é baixar a cabeça para quem manda. Esteja certo ou errado.

Por isso, vemos surtos de autoritarismo no Brasileiro e explicações bizarras como as de Anderson Daronco (Fifa/RS), que apitou Palmeiras 4 x São Paulo 0. No intervalo do clássico de domingo, expulsou o colombiano Juan Carlos Osorio, técnico tricolor, sob a seguinte explicação, conforme está no relatório dele, entregue à Comissão de Arbitragem.

“… o mesmo aguardou a passagem da equipe de arbitragem na área mista (saída do campo), vindo em minha direção reclamando com o dedo em riste, dizendo: “A advertência do meu jogador (número 22, bruno), foi injusta, você errou, você está equivocado”. Neste momento, comuniquei o mesmo, que ele estava expulso da partida.”

Gostaram? Isso era motivo para obrigar o treinador a ir embora? O “dedo em riste”, pelo visto, foi o grande crime cometido por Osorio, a afronta à autoridade máxima do jogo.

O autoritarismo é assim: chega sem muito alarde, faz estragos e as pessoas não se dão conta de que, aos poucos, lhes roubam a liberdade de manifestação.

Pensem nisso, em todos os momentos da vida.