Alma verde

Antero Greco

02 de dezembro de 2015 | 02h43

Crônica do jornalista Roberto Salim.

A discussão sobre a reencarnação existe há muitos séculos. A aura dos seres humanos, as vidas passadas, tudo se discute. Tudo fica num nível de abstração. Tem quem acredite, tem quem duvide.

Mas no futebol todos concordam: a palavra alma é mais real, mais visível do que qualquer outra no mundo da bola. Um time sem alma é um time covarde. Que não empolga, que não se entrega, que não tem por que lutar. E a torcida percebe na hora que seus jogadores não estão nem aí com a tosse.

Não adianta ter o técnico campeão do Brasil. Nem o supervisor campeão do Brasil, que fala mais que jogador artilheiro ou capitão do time. Muitos menos adianta contratar 30 jogadores ou pagar em dia. Se não tem alma, o time não anda, não joga com a torcida, não empolga. Não chora.

O velho Djalma Santos dizia que quando o seu Palmeiras perdia, ele não ia à feira no dia seguinte, no bairro das Perdizes, onde morava. Tinha vergonha de sair na rua. E ele nem era a grande alma do time, que tinha no capitão Waldemar Carabina um torcedor alviverde dentro do gramado. Depois vieram outros jogadores como o inigualável Luiz Pereira, o artilheiro Evair, o goleiro Marcos. O Divino Ademir da Guia.

O Palmeiras que já teve Waldemar Fiúme anda precisando de alma.

De preferência uma bem verdinha.

 

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