Acabar com Estaduais resolve a vida dos grandes?

Antero Greco

05 de fevereiro de 2011 | 12h59

Os Estaduais perderam força – é fato. Há pelo menos duas décadas a maioria desses torneios se mostra incapaz de acrescentar qualidade técnica para seus pariticipantes. Sem contar que ficam sufocados pelo calendário, em função de competições nacionais e internacionais. Agora, com a eliminação mais do que precoce do Corinthians na Libertadores, volta à tona a discussão em torno da validade de campeonatos de onde surgiram e se tornaram famosos os clubes mais populares do país.

Extinguir os Estaduais pode funcionar em grande parte do Brasil, por serem deficitários e esvaziados. Em seu lugar, quem sabe?, surgissem outras disputas, talvez interessantes. Mas não acho que a regra se aplique indistintamente. Não somos Argentina, Itália, Holanda, França. Aqui cabem pelo menos 20 Itálias e umas 200 Holandas… A equiparação não faz sentido, ainda mais se se levar em conta que nesses países há os torneios regionais, não existem só Copa e Campeonato.

Por aqui, há Estaduais com potencial para manter-se, como os de São Paulo e Rio. As fórmulas merecem revisão: a carioca é boa, mas caberia até corte de duas equipes no total de concorrentes. Mais enxuta, menos desgastante. A paulista é ruim. Não há como ganhar qualidade com 20 times e uma longa e enganosa fase de classificação. Com 16 times, haveria mas equilíbrio e agilidade. São Paulo tem muitas cidades fortes no interior, que garantiriam também o sucesso financeiro.

Em outros Estados, por que não ressuscitar as Copas Regionais? Elas caminhavam para vingar, no final dos anos 1990 e começo de 2000. No Norte-Nordeste eram sensação de público e mantinham muitos clubes em atividade. No Sul também houve reação positiva. O entrave será mexer no curral de coroneis das federações. E eles são também a sustentação do poder central, entenda-se CBF.

A discussão deve ser retomada, já que houve comoção com a queda do Corinthians, terceiro no Brasileiro do ano passado e já fora da Libertadores. Em âmbito nacional, que se coloque o bom senso em prática. No plano sul-americano, a CBF que se acerte com seus parceiros da Sul-Americana e trate de ganhar uma vaga a mais na chave principal. Seria justo, pois os brasileiros pesam no faturamento da Conmebol. Mas que isso fosse visto antes, não agora, com o leite derramado (perdão pelo lugar-comum).

Noves fora isso, não dá para creditar, aos Estaduais e à fórmula de disputa da Libertadores, a incompetência continental do Corinthians, que não soube preparar-se para o desafio. Já faz tempo que afirmo: o Corinthians precisa de menos marketing e mais futebol, que é sua verdadeira vocação.

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