Adriano e Flamengo: acordo com dúvidas recíprocas

Antero Greco

21 de agosto de 2012 | 19h48

Tenho medo de atitudes preconceituosas e de certezas absolutas. As duas são reações negativas e assustadoras. Por isso, prefiro manter a mente aberta e cultivo a dúvida como forma de chegar ao conhecimento.

Estas frases introdutórias servem apenas para dizer que prefiro manter cautela a respeito do retorno de Adriano ao Flamengo. Clube e jogador resolveram fazer acordo curto, com algum risco, para verem no que vai dar. Um e outro mantêm enorme ponto de interrogação, apesar do otimismo (nada exagerado) nas declarações após acerto.

O time, porque conhece o histórico do novo funcionário. Sabe da qualidade do futebol dele e dos problemas que costuma trazer. O atleta, pelo tempo de afastamento dos gramados e porque tem alguma noção da desconfiança que disseminou em torno de si.

Adriano tem identificação com o Flamengo – isso é bom, mas não dá certeza a ninguém de que a parceria será produtiva como em2009. Arigor faz dois anos que não joga, justamente desde que saiu da Gávea, na metade de 2010 para aventurar-se na Roma. Na terceira passagem pela Itália, foi fracasso rotundo e saiu de lá queimadíssimo.

Em seguida, fez nova incursãoem São Paulo, dessa vez no Corinthians, sob a bênção do amigo Ronaldo. O saldo: uma contusão, vários meses de recuperação, ausências a sessões de fisioterapia, um gol importante (contra o Atlético-MG), mais desencontros e a demissão por justa causa. Saiu do Parque São Jorge sem deixar saudade.

Depois, houve mais uma operação, longa parada, fisioterapia, sumiço e agora o reaparecimento. A previsão é a de que demore mais um mês para entrar em forma – e o aproveitamento ocorrerá a partir da metade de setembro. Serão dois meses e meio para mostrar serviço, fazer gols e ter contrato estendido para 2013.

Depende dele, sempre dele. O Flamengo mostrou que está desesperado em busca de reconciliação com a torcida. Apela para um jogador que conta com simpatia do público. A prática dará a resposta.

Uma dúvida final: Adriano, Vagner Love, Liedson, Deivid. Não é muito centroavante para um time só?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.