Anderson e Cicinho caem fora do lugar-comum

Antero Greco

18 de abril de 2011 | 13h05

Uma coisa que há bom tempo me incomoda em jogador de futebol é a insistência em não comemorar gols contra ex-equipe. O que seria uma atitude elegante na verdade virou moda. O sujeito passa, por exemplo, cinco meses num time, não cria raízes, não deixa saudades, mas se comporta como neutralidade ao enfrentá-lo. “É uma forma de respeito”, dizem boleiros, em repetição de papagaio e na maioria das vezes mais falsa que nota de 3 reais.

Nos últimos dias, porém, vi dois atletas que saíram desse lugar-comum, o lateral Cicinho, do Palmeiras, e o zagueiro Anderson, do Santo André. Ambos admitiram, em entrevistas, que comemorariam, com muito entusiasmo, se eventualmente marcassem contra Santo André e Corinthians, respectivamente, clubes com os quais tiveram ligação em algum momento.

“Faço tão poucos gols que preciso festejar sempre que tiver oportunidade”, explicou Cicinho, de uma maneira simpática e nem um pouco desrespeitosa com o Santo André, em que ganhou projeção sobretudo no Campeonato Paulista do ano passado. Melhor foi a reação de Anderson, campeão paulista e da Copa do Brasil com o Corinthians no início dos anos 2000. “Desrespeito muitas vezes com certas palavras e não na comemoração do gol.”

Anderson foi perfeito e sensato. O jogador respeita seu ex-clube se tiver carinho ao referir-se ao tempo em que vestiu determinada camisa. Ou, em casos mais extremos, se evitar críticas ou relevar mágoa. Honra o escudo e a história de um clube quem se dedica a ele com seriedade durante todo o tempo em que durar o contrato. Atleta que age dessa forma certamente será compreendido por seus antigos fãs e terá atitude digna com o clube atual. Fe gol? Tem mais é que sair pulando de contentamento. Ora essa!

Está mais do que na hora de parar com essa bobagem de não comemorar gol contra ex-equipe. Na verdade, daria para compreender comedimento se, digamos, Raul fizesse gol contra o Real Madrid, se Rogério Ceni um dia fosse embora do Morumbi e, por essas coincidências da vida, batesse um pênalti contra o São Paulo. E um ou outro exemplo esporádico.

No mais, trata-se de outra chatice que inventaram no futebol de hoje, em que há cada vez menos espaço para reações esfuziantes, para brincadeiras, gozações. Para alegria, enfim.

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