Armadilhas para a seleção

Antero Greco

25 de abril de 2013 | 02h33

Esses jogos mequetrefes que inventam para satisfazer patrocinadores ou para trocas políticas só servam para atrapalhar a seleção brasileira. Junta-se um punhado de bons jogadores de uma hora para outra, organiza-se um treino, a moçada vai pro jogo e o que se espera é ver um time pronto. Como isso muitas vezes não acontece, sobram críticas.

O exemplo mais recente foi o amistoso com o Chile, na noite desta quarta-feira, em Belo Horizonte. Duas as justificativas: evento-teste para a Copa das Confederações e oportunidade final para Felipão escolher a lista de convocados para o torneio de logo mais. Ambas desculpas esfarrapadas. O Mineirão foi reinaugurado com o clássico local, entre Atlético e Cruzeiro, que valeu para perceber os problemas do complexo esportivo, e tenho minhas dúvidas se o treinador pôde avaliar jogadores.

O Brasil topou com um Chile também lado B, mas combativo, enroscou-se em sua falta de entrosamento – o que era mais do que lógico –, desagradou aos torcedores, saiu com empate de 2 a 2 e tomou vaias e “olé!”. O público aproveitou a ocasião também para descarregar sua implicância com Neymar, numa atitude em que todos perdem.

Bem feito. A CBF vende a partida como importante, mídia embarca nessa junto com a plateia, e daí para otimismo falso ou negativo exagerado é apenas um passo. Da mesma forma como era enganação golear Iraque ou China e acharmos que a seleção estava pronta, da mesma forma é injusto descer a lenha diante dos chilenos. E o público se sentiu no direito de protestar, porque achou que era jogo pra valer. Foi iludido.

O Brasil que se apresentou não é aquele da Copa das Confederações – uma pena, pois se perdeu chance de testar o time completo (impossível, por não se tratar de data-Fifa) e se exigiu de um grupo de atletas que atuam aqui esforço adicional desnecessário. A maioria terá compromissos mais sérios, nos estaduais ou na Libertadores.

Está na hora de pararmos com essas enganações, com essa conversa mole de que todo jogo da seleção é fundamental. Muitos são descartáveis e não levam a nada, a não ser a dor de cabeça. São importantes apenas para quem tem os direitos de exibi-la aqui, ali e acolá – e nem sempre para Felipão e atletas. No mais, servem para acirrar o baixo-astral e para cobranças exageradas.

Por isso, pra mim, tanto faz se ganhasse, perdesse. E pouco me diz o empate. O Brasil de verdade surgirá na Copa das Confederações. Para o bem ou para o mal. O resto é armadilha, pegadinha. Embarca quem quer.

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