As alternativas*

Antero Greco

29 de julho de 2015 | 12h56

O prestígio da CBF anda tão em baixa quanto o da Fifa, o que não surpreende, porque as duas entidades têm profundas afinidades e se confundem. A popularidade de ambas despencou da altura dos Alpes suíços por investigações do FBI que levaram à prisão de alguns dirigentes por suspeita de envolvimento em corrupção.

Na organização maior, a nave-mãe, a cabeça da família, já houve pedido de renúncia de Joseph Blatter e a convocação de eleições para fevereiro de 2016. Por aqui, Marco Polo Del Nero se fechou em copas, com o cuidado de avisar, antes, que não pensa em abrir mão do cargo.

A situação desconfortável de Del Nero caiu na boca do mundo da bola e, aqui e ali, surgem sinais de interessados em herdar o trono. Dois nomes despontaram – Andrés Sanchez e Ronaldo Não chegam a ser surpresa; na verdade, se falou deles em algum momento, desde a batida em retirada de Ricardo Teixeira e no processo sucessório de José Maria Marin, no momento hóspede de prisão suíça. Novidade seriam se se cogitasse de Alex, Zico, Raí, Marcos…

Sanchez jamais escondeu intenção de tomar para si o controle do futebol nacional. Era voz corrente que Teixeira o preparava para sucessor quando o convidou para ser o diretor de seleções. Como precisou cair fora do barco num piscar de olhos nem se preocupou com requintes eleitorais e, na emergência, chamou os amigos Marin e Del Nero para segurarem o rojão. E bye-bye.

Sanchez manteve o propósito mais alto, mesmo depois de romper com os novos mandachuvas. Até ensaiou candidatura, mas se viu obrigado a recuar por não conseguir apoio necessário. Voltou à carga, agora, ao admitir em entrevista ao Diário de S. Paulo, que não tirou a presidência da CBF da cabeça.

Outro que estaria de olho no filão é Ronaldo, ex-empregado e parceiro de Sanchez no Corinthians. O experiente e muito bem informado Luiz Antonio Prósperi, editor de Esportes do Estado, escreveu dias atrás, no blog que mantém no portal da casa, que o ex-astro dos gramados e hoje ágil empresário e jogador de pôquer, teria apoio de patrocinadores da CBF e da Globo, detentora de direitos de transmissão dos principais campeonatos domésticos. Serviria para acalmar os mercados, para usar linguagem familiar à Economia.

O que Sanchez e Ronaldo representariam de ruptura e modernidade dá o que pensar. Incógnita a contribuição deles para o fortalecimento dos clubes. A interrogação aumenta se for levada em conta a trajetória de ambos, ao menos no que se refere a bastidores da própria CBF, à política esportiva, e à relação que mantêm com o poder.

Sanchez ganhou espaço no Corinthians na sociedade com a MSI, aquela do iraniano Joorabchian e do russo Berezovski que deu o que falar e teve rompimento estranho. Assumiu a presidência do clube e estreitou laços com Teixeira. Teve participação fundamental na implosão do Clube dos 13 e caiu nas graças do ex-todo-poderoso.

A proximidade ajudou o Corinthians no projeto de ter estádio, porque Teixeira o escolheu como sede paulista do Mundial de 14. Sanchez ainda foi colaborador de Marin. A ascensão dele significaria guinada que se espera nos métodos da CBF?

Ronaldo despachou com velocidade fenomenal a imagem de goleador. Em brevíssimo tempo, após pendurar as chuteiras, assumiu a condição de homem de negócios. Cuida de carreiras de atletas e de ações de marketing. Nas horas vagas, diverte-se como comentarista.

Topou no ato o convite de Teixeira para dar prestígio ao Comitê Organizador da Copa e surgir como “homem forte”, que nunca foi. Mas andou pra cima e pra baixo com Marin e Del Nero, justificou gastos oficiais e circulou com a turma da Fifa.

Em cima da hora da Copa, saltou de banda, fez críticas pesadas ao governo, aliou-se ao candidato de oposição. Recentemente, criticou escândalos na CBF e na Fifa, porém apareceu lépido e fagueiro no sorteio das eliminatórias na Rússia. Seria um camaleão à frente da CBF?

*(Minha crônica publicada no Estadão impresso de hoje, quarta-feira, 29/7/2015.)

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