Atlético-PR escancara limitações do Palmeiras

Antero Greco

29 de agosto de 2013 | 00h44

O Palmeiras vai muito bem, obrigado, na Série B nacional. No ritmo em que a competição anda, a volta para a elite em 2014 será garantida com muitas rodadas de antecipação. Mas Gilson Kleina não tem, ainda, uma equipe competitiva para fazer bonito na elite no ano do centenário do clube.

Há distância entre o que se pode fazer na divisão de acesso e o que se vai enfrentar com os melhores do país. Sobretudo existe o risco de atletas confundirem as coisas e acharem que o nível dos desafios é o mesmo nas duas divisões e em torneios de eliminação direta. Postura que pode ser fatal. E foi.

A diferença ficou evidente na derrota por 3 a 0 para o Atlético-PR, na noite desta quarta-feira, em Curitiba. O time paranaense, em ascensão no Campeonato Brasileiro, foi superior de cabo a rabo, criou várias oportunidades, fez mais do que devia para classificar-se (bastavam 2 a 0) e poucas vezes foi incomodado por um rival que até levar o segundo gol abusou da tática de defender-se e ficou na expectativa de um contra-ataque que lhe desse um gol.

A atitude palestrina tem a ver com as limitações do elenco e com temores do treinador. Kleina não conta com grupo de primeiríssima qualidade. Ao mesmo tempo, resiste em muitas ocasiões a optar por esquema agressivo, mesmo contra rivais frágeis. Complica-se num teste mais refinado, como esse contra o Furacão, embalado e com potencial para brigar por dois títulos.

Não se justificam reclamações de palmeirenses em torno de eventuais erros de arbitragem. A rigor, vi um impedimento inexistente, no segundo tempo, marcado contra o time paulista. No mais, foram falhas normais, que não servem para mascarar a disparidade técnica entre as duas equipes.

Kleina e o presidente Paulo Nobre lamentaram a “apatia” dos atletas. Na verdade, não houve presunção nem descaso. Falta futebol mesmo ao Palmeiras para recuperar espaço que lhe cabe entre os melhores. A queda na Copa do Brasil pode dar boa medida do trabalho que tem pela frente.

Trabalho que, talvez, nem seja concluído por Kleina. Pelo tom da entrevista de Nobre há espaço para ilações. O dirigente deixou escapar, nas entrelinhas, descontentamento geral. E insistiu que vai cobrar de quem precisa. Hum…

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