Atlético x Real, ou a magia dos duelos bairristas

Antero Greco

07 de fevereiro de 2015 | 16h48

Caro amigo, sei que você curte o futebol internacional e o discute como se fosse daqui. Se for da novíssima geração, provavelmente deve ter um time em cada país da Europa. Então, suponho que viu a surra de 4 a 0 que o Atlético impôs sobre o Real, no clássico de Madri. Foi no começo da tarde deste sábado, no Vicente Calderón, casa dos atleticanos.  Por sinal, casa cheia, só pra variar um pouco quando as duas equipes se enfrentam.

Não vou falar de detalhes do jogo, pois suponho que pôde degustá-los pela televisão e pelo noticiário online. De qualquer forma, fica o resumo, bem sucinto: o Atlético deu vareio no Real, sobrou em todos os sentidos, não foi ameaçado em nenhum instante (o goleiro Moyá nem sujou o uniforme) e tinha liquidado o desafio com 18 minutos do primeiro tempo, nos gols de Tiago (aos 14, frango de Casillas) e Saul Niguez (18).

Na etapa final, Griezman (aos 22) e Mandzukic (aos 37) fecharam a conta, com direito a “olé!” O Real contou com o retorno de Cristiano Ronaldo, após suspensão, e o melhor do mundo não jogou nada. A defesa estava bastante modificada e ficou perdidinha. Com o resultado, a briga pelo título continua boa, com Real (54 pontos), Barcelona e Atlético Madrid com 50.

Pra mim o que conta é o molho saboroso que há no duelo local, doméstico.  Ok, que o rival do Real, no plano nacional – e mesmo internacional – é o Barcelona. Os dois vivem a apostar quem é o maior, mais rico, mais vencedor ou que gasta mais em contratações etc e tal.

Mas incomoda pra burro perder para o vizinho, para aquele que está ao lado, com quem se cruza a todo momento na rua; enfim, para o primo pobre. E isso é o que vem ocorrendo com o Real, com frequência. Sim, teve a vitória expressiva em Lisboa, na final da Champions do ano passado. Só que nos combates em casa o Real tem sido freguês de carteirinha do Atlético. Só na atual temporada, se toparam seis vezes, com quatro vitórias do Atlético e dois empates. O Atlético faturou a Supercopa da Espanha e eliminou o Real da Copa do Rei.

A lição que fica é a de que não se pode matar a picuinha bairrista; esse tira-teima parece restrito a brigas de comadres, mas no fundo é o que dá amplitude ao futebol. Vida longa à rivalidade entre clubes da mesma cidade ou, no máximo, mesma região.

Isso é incentivado lá fora e não pode ser extinto aqui no Brasil.

 

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