Atrapalhado começo de Andrés no comando das seleções

Antero Greco

24 de fevereiro de 2012 | 21h56

Andrés Sanchez brigou muito com o São Paulo no período em que foi presidente do Corinthians. Agora, mudou de função. Ao passar a faixa em seu clube, ganhou o cargo de diretor de seleções da CBF. Sinal de que anda com prestígio em alta com o dono do poder a quem, dizem, substituirá num futuro não muito distante.

Mas em sua primeira atividade como responsável pelas seleções Sanchez pisou na bola. Bateu o pé, ao dizer que não iria liberar o meia Lucas para o amistoso que o São Paulo faz com o Palmeiras, no domingo, pelo Campeonato Paulista. Botou banca, falou grosso, irritou-se com críticas do técnico Emerson Leão e no fim teve de engolir o pedido tricolor. Lucas joga no domingo e embarca para a Suíça na sequência, onde na terça a seleção enfrenta a Bósnia.

Trombada desnecessária de Andrés, e justamente com um clube com o qual descaradamente não se entende. Gol contra de quem se comportou como dirigente de clube e não como diretor da entidade que controla o futebol nacional. Deveria ter sido mais político, mais polido, menos radical. Mesmo que o São Paulo tenha comido bola, sob a alegação de que a CBF dissera que só liberaria jogador de time envolvido em alguma decisão.

Entre suas atribuições está também a de mediar conflitos entre convocações e os interesses dos times. Não importa a cor da agremiação, nem contam suas preferências ou antipatias. Num momento em que o comandante da CBF tenta contornar turbulências, deveria agir como bombeiro e não como incendiário.

Tomara suas próximas atitudes sejam mais ponderadas e à altura do cargo que lhe deram de presente. E que olhe todos os clubes da mesma maneira. Só assim ganhará credibilidade. Ou será que, assim como seu padrinho e mentor, pouco lhe importa a opinião pública? Criatura igual a criador?

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