Atropelo no Parque

Antero Greco

28 de junho de 2015 | 19h49

Meu amigo, um trator verde passou sobre o São Paulo na tarde deste domingo no Allianz Parque, o rebatizado Palestra Itália. O Palmeiras fez 4 a 0, deixou o rival zonzo, impediu-o de assumir a liderança e melhorou a própria situação no Brasileiro. Dois gols por tempo e fatura liquidada.

Como diria Odorico Paraguaçu, personagem da histórica novela “O Bem Amado”, os palmeirenses saíram do estádio “com a alma lavada e enxaguada” de alegria. Nem era pra menos. Havia décadas que não batia o São Paulo por diferença tão acentuada. E, para aumentar a satisfação, melhorou o placar em relação ao encontro no Paulistão, meses atrás, que terminou com 3 a 0.

Foi moleza, portanto, que a turma de Marcelo Oliveira encontrou? Não. No primeiro tempo, largou bem, com postura firme na marcação. O São Paulo reagiu, equilibrou, mandou uma bola na trave (na única boa jogada de Pato) e deu dois sustos com Michel Bastos.

A coisa entortou para o lado da rapaziada de Juan Carlos Osorio a partir do gol de Leandro Pereira (com desvio em Souza) aos 31. Dali em diante, o Palmeiras tomou conta do jogo, encorpou, mandou também uma no travessão, com Victor Ramos, que aos 40 ampliou a vantagem.

O segundo tempo teve um roteiro bem definido: o Palmeiras atraiu o São Paulo, fechou o meio-campo e avançou nos contragolpes. No terceiro, foi perfeito na troca de passes, a partir de roubada de bola, até a conclusão de Rafael Marques (aos 13). Cristaldo, que havia entrado no lugar do Leandro, fechou a conta aos 25. O São Paulo teve o mérito dali até o fim de tentar o gol de honra.

A tática palmeirense foi adequada para o momento, sem nenhuma apologia a retranca e coisas do gênero. Como precisa de afirmação, foi firme na marcação, se expôs menos do que em outras ocasiões, surpreendeu o São Paulo. E, o mais importante: os jogadores rodaram, se revezaram, para confundir os adversários. Dudu, Robinho, Rafael, Leandro, depois Cristaldo, todos se mexeram bem. Os laterais avançaram muito, Egídio jogou bem, Arouca também.

O São Paulo, ao contrário, esteve estático. Ganso atuou só numa pequena faixa, e de lá não saiu. O mesmo aconteceu com Pato e com Luis Fabiano. Uma equipe parada, sem iniciativa, em que mais uma vez teve Michel Bastos a destoar de maneira positiva. Osorio terá trabalho, para chacoalhar o grupo, e ainda compensar saídas e falta de dinheiro…