Bayern, ou o prazer de jogar futebol

Antero Greco

21 de abril de 2015 | 19h28

O futebol me fascina desde garoto. Gosto do jogo de bola, independentemente do país, e vejo qualquer campeonato. Só não torço para time estrangeiro porque tive o prazer de crescer com grandes times daqui. Mas essa é história que fica para outro bate-papo.

O que quero dizer é que, na tarde desta terça-feira, o Bayern encheu os olhos de quem se liga em futebol. O time do incansável Pep Guardiola precisava livrar-se do placar de 3 a 1 em favor do Porto para avançar para a semifinal da Liga dos Campeões da Europa. O jogo era em Munique e, claro, uma desvantagem sempre pesa nas costas.

Você sabe o que fez o Bayer, não? Levou em conta o tropeço da semana passada apenas como obstáculo a superar. E fez por mandar para escanteio a sombra da desclassificação. Em menos de meia hora tinha vantagem de 4 a 0 e fechou o primeiro tempo com 5, fora o baile. Tirou o pé na etapa final, levou um gol e ainda arrematou o placar com o sexto: 6 a 1.

Um show de um grupo moldado para jogar bola, sem rodeios, sem rococó, sem papo furado. O segredo do Bayern era o mesmo que tinha o Barça sob a direção de Guardiola: tocar a bola, enganar o adversário, envolvê-lo, deixá-lo tonto e atacar, atacar, atacar. Criar chances de gol.

Às vezes, parece até pelada de criança – e no fundo é isso mesmo. Jogar futebol com prazer. As equipes sob a tutela de Guardiola se comportam como se fossem crianças e se divertir. Pois isso é o futebol: prazer, alegria, gols. Ficou feliz o time, ficou mais feliz a plateia.

Alguém pode alegar que o Porto jogou mal? Diria que o Porto tentou fazer o possível, coitado; não conseguiu. O Bayern não deixou o clube português sequer ter iniciativa. Não dá nem para falar que Lopetegui colocou a equipe dele na retranca para defender a vantagem anterior. Nada. Veja pelo lado oposto: a turma da Alemanha é que ignorou o Porto, jogou como se só ela estivesse em campo.

Ter gente da qualidade de Muller, Lahm, Lewandowski, Gotze, Rafinha ajuda, sem dúvida. Mas é necessário que, por trás deles, esteja um “professor” que lhes ponha na cabeça que a melhor alternativa para ganhar é partir pra cima. Guardiola faz isso; o resto fica por conta dos artistas.