Boltinho quebra recorde sul-americano

Antero Greco

15 de novembro de 2015 | 00h57

Os convites não param de  chegar. E não é para menos: o menino Paulo André, de 17 anos, é uma das maiores promessas do esporte nacional. Corre os 100 metros e já é conhecido como o Boltinho de Vila Velha, o Papa-léguas. Na manhã deste sábado (14), bateu pela quarta vez consecutiva o recorde nacional de menores e, de quebra, estabeleceu nova marca sul-americana para a prova, com o tempo de 10s30 – o recorde anterior era seu mesmo com 10s33.Boltinho

“Não alcançou o índice olímpico ainda, que é 10s16, mas tem até julho para conseguir”, disse o seu técnico, Camilo de Oliveira. “Hoje ele já estaria na equipe olímpica de revezamento 4×100 metros, porque seu tempo é o terceiro melhor do país na categoria adulta”.

Camilo de Oliveira estava orgulhoso ao lado da pista do Estádio Willie Davis, em Maringá. Nem bem a prova dos Jogos Escolares da Juventude tinha acabado e os convites começaram a chegar para levar para um clube grande o menino que defende o Centro Castro Alves de Ensino, em Vila Velha. “Estou estudando, tem convites até para ele ir para fora do País, para fechar contratos até 2020”, revelou Camilo, que não é um técnico comum. “Ele só sai se eu for junto”.

Camilo é o pai de Paulo André.

Foi atleta dos 100 metros, defendeu o Brasil em competições internacionais, enfrentou Ben Johnson e Carl Lewis e só não conseguiu ir para a Olimpíada de Los Angeles. Ele sabe dos perigos do esporte como ninguém. “Tem gente que fala que estou dopando o menino, mal sabem que sou seu pai. Ele é um talento puro, vai longe”,  garante. “Em casa é treino, comida pura, batata doce e muito carinho”, reforça Mary, a mãe, que é cabeleireira.

A pista onde treinam no Espírito Santo é de terra, tem buracos. Mas isso não impede que o menino corra como ninguém no Brasil.

Neste domingo, Boltinho corre os 200 metros.

(Com Roberto Salim)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.