Blatter não é chefe de estado. Mas aqui até parece

Antero Greco

30 de julho de 2011 | 12h31

Não precisa muito para cartola achar que tem o rei na barriga. Os da Fifa, então, agora devem considerar-se o máximo, os reis da cocada preta. Pelo noticiário que acompanho, Joseph Blatter e seu fiel escudeiro – sei lá se tão fiel assim – Jerome Walcke são tratados como chefes de estado em suas andanças pelo Rio nestes dias que antecedem o sorteio das Eliminatórias.

Os dois têm direito a segurança 24 horas, oito batedores e outros benefícios negados a muita autoridade que participará logo mais da cerimônia na Marina da Glória. Isso em nome de quê? Da imagem do Brasil? Os dois executivos da Fifa são bibelôs intocáveis, são seres especiais? Nada, são apenas o que são: dois dirigentes esportivos que estão aqui para um grande negócio.

Cuidar das visitas é de bom tom, dar-lhes segurança também. Todos torcemos para que nada aconteça com eles – na verdade, que não ocorra nenhum tipo de sobressalto com ninguém. O que me incomoda é o exagero, aquilo que sai da área do correto e descamba para o subserviente, estereótipo, folclórico.

Não é à toa que, mesmo com avanços que temos, os gringos nos veem como colonizados. Nos comportamos assim, damos milho pra bode. Parecemos personagens caricatos do Inspetor Geral (Gogol) ou do Bem Amado (Dias Gomes), que se agitam na presença de autoridades e fazem de tudo para agradá-las. E estas se divertem às custas dos matutos.

Só uma lembrança. Em 2005, dias antes da abertura da Copa das Confederações, topei com Joseph Blatter à saída de um centro cultural ou algo do gênero, em Leipzig, na antiga Alemanha Oriental. O mandachuva da Fifa parou na rua para falar com dois jornalistas alemães e depois ficou uns 15 minutos a conversar comigo e com Luiz Prosperi e Sebastião Moreira, meus companheiros de cobertura.

Sabe qual era a segurança dele? O motorista, que ficou pacientemente a esperá-lo, a uma distância discreta.  Apertos de mão, até logo e tchau…

 

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