Boca, o adversário ideal para o Corinthians

Antero Greco

22 de junho de 2012 | 01h21

Melhor para o Corinthians encarar o Boca Juniors do queLa Universidadde Chile na final da Libertadores. Pode parecer contraditório, mas tentarei explicar por que considero mais oportuno pegar os argentinos do que os chilenos nos duelosem Buenos Aireseem São Paulo.Confrontospara as próximas duas quartas-feiras.

O Boca é mais time e tem história mais rica na competição do que LaU. Complica? Sim, porque não se trata de tarefa miúda superar um time que chega pela décima vez à decisão continental. Mas, justamente por ter lastro, o Boca terá de sair para jogar, seja como mandante seja como visitante. Não ficará encolhido, à espreita do que fará o rival.

E o Corinthians é bom na marcação por pressão, sabe brecar rivais no campo deles, tem engenho para puxar contragolpes. Se encaixar um,em La Bombonera, complicará tremendamente a vida dos argentinos. Por isso, será importante o retorno de Emerson, suspenso no segundo clássico com o Santos.

O campeão brasileiro também sabe fechar-se como poucos, apresentou até agora maturidade para segurar o rojão. Não é por acaso que tomou apenas três gols, contra 7 do Boca. Manter o controle fora de casa será imprescindível para fazer a festa no Pacaembu, no dia 4 de julho. Se vencer, então, como aconteceu diante do Santos, o caminho terá sido percorrido em mais de 90 por cento.

O Boca tem ainda jogo mais cadenciado do que LaU. Não significa que seja lento, mas explora menos a velocidade. Ritmo ideal para o Corinthians, que tem alguns jogadores mais experientes e menos velozes, que no entanto compensam com excelente sentido de colocação (casos de Chicão, Alessandro, Danilo, Jorge Henrique, Alex).

O Boca de hoje não é matador como aquele que, no começo dos anos 2000, fez a festa diante de Palmeiras, Santos, Grêmio, suas vítimas brasileiras mais recentes. Tem ainda Riquelme como o cérebro, o articulador, embora sem o viço de uma década atrás. Há jogadores mais pesados, e nisso se iguala ao Corinthians.

Claro que essas considerações ficam no plano da teoria. Na prática, a história pode ser outra – e daí não depende de mim, nem de você, e sim dos jogadores, dos treinadores, e do imponderável, que muitas vezes é o craque que decide títulos e destinos.

Uma coisa é certa: o Corinthians entra na final com muita chance de vencer, de sagrar-se campeão. Até com o veneno usado pelo Boca em diversas ocasiões: prendendo o jogo, arrancando empates e decidindo nos pênaltis. É sofrida, mas não deixa de ser uma alternativa a ser considerada. E está na hora de alguém enfim impedir o Boca de fazer a festa por aqui.

 

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