Bom retorno, Palmeiras!

Antero Greco

27 de outubro de 2013 | 11h06

Meio da tarde, ligo a tevê para acompanhar rodada decisiva da Série B e tomo um susto. A Globo anunciara transmissão de Palmeiras x São Caetano e, quando os times entraram em campo, vi um de uniforme amarelo e azul, igualzinho ao da seleção. O outro vestia camisa e meiões azuis, calções brancos, a Azzurra escrita. Pensei que fosse um Brasil x Itália antigo ou uma homenagem aos dois maiores vencedores de Mundiais. Sei lá, toda hora tem algum repeteco…

Custei a entender que o clone da amarelinha, na verdade, era o Palestra, assim paramentado para relembrar o dia em que representou o país diante do Uruguai. Foi na época da inauguração do Mineirão, o original, em 1965, e venceu por 3 a 0. Mas aquele espetáculo foi em setembro e não em outubro. Ah, tanto faz, os moços do marketing justificam qualquer ação.

Ok, reação de ranzinza, de quem sempre curtiu as cores de raiz de qualquer equipe. A camisa é até bacana, tanto que vendeu como água. Mas precisava também do calção azul?! E não poderia o modelito ser usado em outra ocasião, quem sabe nas partidas finais da temporada, a anunciar o centenário? Bom, deixa pra lá, o que conta é o jogo.

E o jogo, em si, não foi grande coisa. Serviu para consolidar o que já se sabia, o retorno do Palmeiras à elite do Brasileiro. Desde as jornadas iniciais do campeonato, saltou à vista, clamorosa, como diz Claudio Carsughi, a superioridade alviverde (ou seria auriazul?) em relação aos demais concorrentes. Só uma hecatombe tiraria de Gilson Kleina e rapazes uma das quatro vagas para a promoção. O título seria acessório secundário, e mesmo este virá. Se bem que, para agremiações do quilate de Palmeiras, Corinthians, Grêmio, Vasco, a taça da Segundona não é troféu dos mais cobiçados e vistosos.

Mas o Palmeiras fez para o gasto, num Pacaembu amarelado e cheio de expectativa. Sem forçar, criou algumas chances (não muitas), reclamou de dois pênaltis (nenhum ocorreu) e não levou sustos diante de um adversário condenado à Terceirona. O 0 a 0 foi insosso, faltaram gols para enriquecer a festa da nação verde. (?!) Não saíram, fazer o quê? Importante era a classificação, o fim da humilhação dos jogos às terças-feiras, às sextas e aos sábados.

O Palmeiras retorna ao nicho que lhe cabe. E em ano especial, o do primeiro centenário da imponente sociedade esportiva Palestra Italia, fundada por imigrantes italianos e seus descendentes em agosto de 1914. O regresso alegra; no entanto, ganhará relevância se significar, também, o ressurgimento de um time forte, competitivo, para desempenhar papel de protagonista, como foi a vocação ao longo do tempo, e não de coadjuvante ou humilde figurante.

O torcedor comemorou, tirou peso das costas, e mudou de postura. Não se consola, apenas, com lugarzinho ao sol. Exige elenco à altura, de qualidade. Chega de jogador meia-boca, de atleta Série B. E não parece disposto a engolir conversa mole de pés no chão, de política do bom e barato e coisas do gênero. “Tudo lero-lero”, avisa aqui do lado o Nilsão Pasquinelli, diagramador do Estadão com sangue mais verde do que o do Hulk (o das histórias em quadrinhos) e que já cansou de sofrer. “Quero craques!” É o pensamento dos palmeirenses.

A turma que ralou nesta temporada no Purgatório merece tratamento respeitoso e avaliação criteriosa. Sejam aproveitados aqueles com potencial para impor-se; os outros tenham recolocação sensata. Tiro o chapéu, ainda, para Kleina, decente, correto, trabalhador. E educado, pois a diretoria não acena com permanência e ele mantém serenidade.

Parabéns, Palmeiras, seja feliz pra sempre. Mas, como diria o Toninho Cazzeguai, maior filósofo do Bom Retiro: “O Palestra é verde, cáspita!”

Produto de mídia?! E o Neymar? o rapaz era visto por aqui como supervalorizado. Mostrou, ontem, que não está para brincadeiras: fez um gol e deu passe para outro, nos 2 a 1 do Barcelona sobre o Real Madrid. É, é um enganador, cai-cai e etc…

*(Minha crônica na segunda edição do Estado de hoje, domingo, 27/10/2013.)

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