Bota respira mais aliviado. Palmeiras tem “falta de ar”

Antero Greco

31 de julho de 2016 | 21h54

Sei que o torcedor do Palmeiras sentiu calafrios, na noite deste domingo. Pudera. Não é fácil ver o time que liderava com alguma sobra, até duas rodadas atrás, perder a ponta, ficar em terceiro, atrás de rivais tradicionais como Corinthians e Santos. Pior, jogando mal.

Pois foi o que ocorreu, na derrota por 3 a 1 para o Botafogo. Mérito enorme para a rapaziada de Ricardo Gomes, que foi combativa, aplicada, atrevida e eficiente. Não se discute o resultado. Não discuto nem o pênalti de Vágner sobre Vinicius Tanque. O jovem goleiro estava vendido na jogada e foi um pouco afoito.

Mas o Palmeiras voltou a negar fogo. Pela segunda semana consecutiva. Havia decepcionado diante do Galo, em casa. Repetiu a dose com o Botafogo. Cuca mexeu na escalação, buscou alternativas, e quebrou a cara. Vá lá que Dudu tem sido inconstante; ainda assim, é melhor do que Erik (por ironia, autor do gol verde). Lucas Barrios também não é uma sumidade. Ok. Mas o que dizer de Leandro Pereira? O paraguaio é mais ágil e mais brigador do que ele. Para complicar, Cleiton Xavier, a esperança de criatividade no meio, novamente passou em branco.

O Palmeiras perdeu a parada no meio-campo e no ataque. Por extensão, deixou a defesa exposta, como se viu no primeiro gol de Neilton, em que Roger tentou sair costurando, perdeu a bola no meio e na sequência deixou Zé Roberto na fogueira. Outro sinal preocupante: depois do gol, o ex-líder se desorientou, bateu intranquilidade sem sentido e escancarou o caminho para o desastre. Que veio antes do intervalo, e com outro gol de Neilton.

Cuca tratou de corrigir as escolhas, tirou Cleiton e Roger Guedes, para colocar Rafael Marques e Dudu. Melhorou, mas pouco. A equipe continuou abaixo do que já mostrou no Brasileiro. Por isso, dá o medo na torcida de que vire fogo de palha, como já aconteceu em outras ocasiões. Voltou a assustar o fantasma do Palmeiras que ameaça brilhar, fica perto de tirar nota dez e… acaba repetindo de ano.

O Botafogo fez o que se esperava de time que luta para safar-se da zona de degola. Com 20 pontos, dá uma respirada mais aliviada. Já o Palmeiras sentiu falta de ar; em outras palavras, sentiu a falta de Prass (que não volta neste ano) e de Gabriel Jesus, o ídolo em potencial que já começa a fazer as malas para ir embora.

Aí fica difícil. O consolo está no fato de o campeonato ser muito equilibrado. Tem muito chão para recuperar-se. Ou perder-se de vez.

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