Brasil estreia sem atropelo e toma forma

Antero Greco

16 de junho de 2013 | 01h41

Você gostou da seleção contra o Japão? Eu gostei, mas sem me deixar encantar. Foi placar adequado para a diferença entre as duas equipes, valeu para tirar a tensão da estreia, deixa o pessoal mais relaxado para os jogos contra México e Itália, que se espera mais complicados. Os 3 a 0 ficaram de bom tamanho.

Deixei passar algumas horas para colocar aqui o comentário sobre a largada da Copa das Confederações. Sempre é bom para baixar um pouco a adrenalina e clarear as ideias. Desta vez, as observações no calor da hora ficaram para minha coluna de domingo no Estadão. O blog recebe a visão mais descansada do que rolou em Brasília.

E, por esse ângulo, vi que o time de Felipão cumpriu com a obrigação, mostrou pontos positivos e começa a ter uma cara. Não sei será maravilhosa lá adiante, quando vier o Mundial de 2014. No momento, apenas normal, daquelas que não chamam a atenção quando passam na rua, nem por beleza nem por feiúra. Ficou na média.

O resultado foi construído sem pressa e sem sufoco. O gol muito bonito marcado por Neymar com 3 minutos fez a seleção respirar aliviada até antes do que previa e jogou uma tonelada nas costas dos japoneses. Não é fácil enfrentar donos da casa com currículo de botar medo e ainda por cima encarar o cansaço da semana. Ainda assim, enquanto teve fôlego o Japão esboçou alguma reação, mas tímida.

O Brasil dominou, sem ser contundente. Não pecou por displicência, porém não seduziu por ataques constantes, como seria o ideal. Como ampliou no início da segunda etapa, com outro bol de Paulinho, ficou à vontade para controlar a vantagem. O terceiro, quase no fim e marcado por Jô, foi só para fechar a conta folgada.

O esboço do que Felipão pretende daqui por diante está claro: a defesa, salvo engano ou desastres, se consolida com Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva (jogou muito), David Luiz e Marcelo. O meio-campo ainda com espaços ganha corpo com Luiz Gustavo na marcação, Paulinho adiantando-se, Oscar com movimentação frequente e Hulk pela aplicação. Neymar é intocável e Fred fica à espreita, embora não tenha feito uma grande apresentação.

Claro que, em um ano, alterações podem ocorrer. Mas não vejo espaço para mudanças profundas até 12 de junho de 2014. Felipão aposta no entrosamento da equipe, no amadurecimento de Oscar e Neymar, os maestros do momento, e vai colocando como cartas na manga Hernanes, Dante, Lucas. E, sei lá, até o Jô, que acabou de chegar.

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