Brasil e Portugal sofrem derrotas instrutivas em amistosos

Antero Greco

09 de fevereiro de 2011 | 21h07

Lição antiga no futebol, anterior aos tempos de autoajuda, indica que há derrotas úteis. Se souberem avaliar o que aconteceu em campo, o brasileiro Mano Menezes e o português Paulo Bento terão o que aproveitar dos tropeços de suas equipes, em amistosos desta quarta-feira. O treinador nacional volta para casa com uma série de anotações, após a queda por 1 a 0 diante da França, em Paris, e o técnico luso tem o que estudar, após os 2 a 1 para a Argentina.

Escorregadas nem sempre são desastrosas. Prefiro essas vaciladas diante de rivais de peso do que vitórias muitas vezes enganadoras contra equipes de terceira ou quarta linhas. O Brasil caiu de novo no duelo com um adversário que tem currículo infinitamente menos rico, mas que se tornou, na história recente, uma pedra no caminho. Portugal, em fase de reconstrução, se deu mal, mas só no fim, no confronto com um time tecnicamente bom – superior àquele que Diego Maradona levou para a disputa do Mundial na África.

O Brasil preocupou-se com o sistema defensivo, como Mano havia insinuado nos treinos parisienses. O técnico imagina que a casa amarela começa a ajustar-se de trás para a frente. Nesse aspecto, não há o que reclamar, se fosse só pelo resultado – a equipe levou um gol. Mas, na prática, não foi bem assim. Se topar com um atacante inspirado, como foi o caso de Benzema, já terá dores de cabeça. O jogador do Real Madrid, sozinho, deu conta de enrolar a zaga brasileira, fez o gol da vitória, criou chances e fez Julio César suar, apesar do frio.

A defesa ficou exposta sobretudo a partir do final do primeiro tempo, com a expulsão de Hernanes. Aliás, o meia da Lazio foi estabanado ao dar safanão em Benzema: mereceu o vermelho e desmontou o time. Independentemente do incidente, Lucas, Elias e Renato Augusto limitaram-se a marcar e contribuíram pouco na criação. Robinho e Pato, por extensão, apareceram pouco, como mais tarde André e Hulk.

O Brasil solto e atrevido dos primeiros jogos sob o comando de Mano parece ter saído de férias. Está na hora de voltar – o que pode acontecer quando forem reaproveitados Ganso, Neymar, Kaká, Nilmar e outros que ficaram fora desta convocação. Contra grandes oponentes, é preciso também pensar grande. Atrevimento funciona mais do que “respeito excessivo”.

Portugal e Argentina pensaram grande. Por isso, fizeram belíssimo jogo em Genebra. Os dois times foram fortes na marcação e puxaram contra-ataques com velocidade. As duas estrelas fizeram sua parte – primeiro Messi, com assistência no gol de Di Maria e na cobrança do pênalti que deu a vitória, quase no fim. Depois, Cristiano Ronaldo, com dribles, arrancadas magistrais e o belo gol de empate, ainda no primeiro tempo. Na última jogada antes de sair, na metade da segunda fase, havia dado um drible tão desconcertante que Mascherano foi ao chão.

Portugal com Paulo Bento é mais divertido do que nos tempos de Carlos Queiroz. Que continue assim.

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