Brasil expõe defeitos no empate com a Rússia

Antero Greco

25 de março de 2013 | 18h37

Não morro de amores por seleções, sejam quais forem. Com o futebol globalizado, com jogadores de tantas nacionalidades que atuam juntos por aí, perdeu um tanto o encanto nos encontros entre países diferentes. Mas confesso que, no fundo no fundo, me agrada ver o Brasil com boas atuações. Coisas de nostalgia, de quem já não é mais garoto e viu times memoráveis.

Mas vou admitir: nem com excesso de boa vontade, consigo me empolgar com a amarelinha – e faz tempo. Puxa vida, conforme passa o tempo, nos distanciamos do que nos trouxe fama, títulos e fortuna. E qual era o segredo? Jogarmos com desenvoltura, com gaiatice, soltos, criativos. Dessa forma, o Brasil se tornou a escola mais admirada, invejada, copiada. Com preferência pelo estilo bonito, também era vencedora.

Agora, parece que os papéis se inverteram. A gente viu a Alemanha jogar como Brasil, na Copa da África, e o Brasil jogar como a Alemanha de antigamente. Vem o Pep Guardiola e diz que o Barcelona se inspirou na nossa ginga para moldar esse carrossel. Até a Rússia, do Fabio Capello, lembrou mais o Brasil, no amistoso de hoje em Londres, do que o próprio time do Felipão, no empate por 1 a 1.

Os branquelos que vieram do frio largaram com tudo, fizeram uma blitz tremenda no início da partida, quase botaram os brasileiros na roda. Depois, cederam espaço, o jogo ficou equilibrado, mas morno. Em nenhum  momento, chegou a ser quente. Já mais pro fim, os russos fizeram quase um bobinho na hora de marcarem o gol. Que disparate! Por sorte, apareceu o Fred, quase em cima da hora, para deixar o dele e empatar.

Você gostou do jogo? Eu não. Só achei bom o fato de o Brasil encarar pesos pesados. Pelo menos não tem aquela enganação das goleadas sobre China, Iraque, Kuwait e sei lá quem mais. Melhor que se escancarem agora os erros do que nos darmos conta de que a situação pode ficar feia em cima da hora da disputa do Mundial.

Em cima da bucha, no espírito de blog, vai um apanhado geral. Julio Cesar não fez tantas defesas, deu pro gasto, embora tenha soltado uma bola. Daniel Alves correu e pouco fez, Thiago Silva e David Luiz não complicaram. Marcelo foi aquele que apresentou mais iniciativa e construiu a jogada do gol de empate. Fernando não foi bem, tomou um baile do meio-campo russo. Hernanes se esfolou, e esfolou os adversários.

E ainda: Kaká ciscou, ciscou, se movimentou, errou alguns passes. Pra mim, continua a perigo sua permanência. Oscar esteve abaixo do que pode, talvez para dar espaço para Kaká. Neymar apagado, sem jogar nada, e Fred quase não pegou na bola. Mas fez o gol – e é disso que Felipão gosta. E o torcedor também. Hulk entrou e deu mais dinâmica ao time. Diego Costa apareceu pouco.

Resumo da ópera: temos vários bons jogadores, nenhum craque e ainda estamos sem conjunto. Parece que regredimos em vez de avançarmos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.