Brasil ganha quando Neymar resolve ser Neymar…

Antero Greco

29 de julho de 2012 | 13h33

Neymar foi o destaque do Brasil nos 3 a 1 sobre a Bielorrússia pelo torneio olímpico de futebol. Neymar jogou neste domingo aquém do que pode e se espera dele. Conflitantes as duas primeiras frases? Sim, mas ambas embutem observações verdadeiras.

Neymar desequilibrou, com duas assistências e um belo gol em cobrança de falta. Só que foi  o verdadeiro Neymar nesses momentos, e em outros poucos, na partida disputada no estádio do Manchester United. A questão é saber por que houve tanta oscilação, por qual motivo o astro santista flutuou entre a indiferença e a genialidade.

Poderia desfilar aqui algumas teorias, da oscilação ainda própria de imaturidade dele ao tipo de competição que disputa no momento, com uma passadinha pelo excesso de jogos durante o ano até chegar a possível orientação do treinador. Fico com uma pitada de cada uma delas, embora não me atreva a considerar nenhuma como sinal de verdade absoluta. São impressões tiradas a distância e sem a convivência com a rotina brasileira em Londres.

Mas um dos aspectos que considero viáveis tem a ver com o treinador. No teste de preparação com a Grã-Bretanha, na semana passada, Neymar desandou a driblar e levou um pito, de leve, de Mano Menezes. O técnico alegou, após aquele jogo, que o individualismo prejudicou a equipe em alguns momentos. O recado era claramente dirigido a Neymar.

Pois vi Neymar menos driblador nas duas primeiras apresentações do Brasil nos Jogos. E menos solto, menos empolgado. Parece que quer fazer certinho o que lhe pede o chefe. Prefiro o Neymar abusado, atrevido, mais feliz – e que faz a felicidade do torcedor.

Esse Neymar apareceu só no trecho final do jogo com os bielorrussos – e depois de ter feito o gol de falta, falta que ele mesmo sofreu ao partir para cima dos zagueiros. Dali em diante ele ficou mais solto, driblou mais e culminou a apresentação com um toque de calcanhar para Oscar fechar a conta em 3 a 1. Ainda no primeiro tempo, Neymar havia feito o cruzamento que resultou no gol de Pato, o de empate, já que o Brasil estava em desvantagem.

A seleção carimbou presença na segunda fase do torneio e, como se esperava, supera rivais mais frágeis. Assim como ocorreu na estreia, teve dificuldade, chegou a ser sonolenta e se impôs pela qualidade de seus jogadores. A defesa tem falhas, o meio-campo criou pouco, o ataque em consequência ficou isolado.

São fatos – e a prática confirma o que se previa antes: esta é fase que permite ajustes. Espero que Mano os faça e assim deixe a seleção em ponto de bala para os duelos de eliminação direta. Torço sobretudo para que Neymar seja cada vez mais Neymar e menos o jogador que faz de tudo para não desobedecer ao técnico. O Brasil é quem tem a ganhar com a irreverência.

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