Brasil x Equador. Pra quem torcerá Moacir?

Antero Greco

04 de junho de 2016 | 02h40

Quem desconhece a paixão que o equatoriano tem pelo futebol nunca vai imaginar que, um dia, este país vai disputar o título de um Campeonato Mundial.

Pode parecer exagero.

Mas é só olhar a classificação das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2018 para ver que o Equador não está para brincadeira. Está no topo, com o Uruguai.

A torcida é fanática, os times se fortalecem, os jogadores ganham destaque internacional e o grito de guerra garante que é possível uma façanha: “Si se puede, si se puede!!!” – gritam os torcedores.

E um dos futebolistas que começaram esta virada esportivo-cultural foi um brasileiro. Seu nome: Moacir, campeão do mundo de 1958, na Suécia.

Moacir jogava no Flamengo ao lado de Joel, Dida e Zagalo – todos daquela maravilhosa seleção do primeiro caneco.

Ele era o reserva de Didi e não entrou em nenhuma partida da Copa. Mas garante que fez “muitos gols” após a vitória na finalíssima sobre a Suécia, por 5 a 2.

“Na festa em Estocolmo, após o jogo, as mulheres me procuravam achando que eu era o Pelé. Neguei uma, duas vezes, aí não deu mais… Fui Pelé por uma noite inteira”.

Moacir encerrou a carreira de futebolista no futebol equatoriano. Foi treinador do Barcelona de Guayaquil – cidade onde vive até hoje.

Neste sábado à noite o Brasil enfrenta o Equador, na estreia na Copa América. Ao contrário das outras vezes, a equipe nacional não é favorita. O time de Dunga parece uma colcha de retalhos, com jogadores sendo dispensados e chamados a toda hora.

Parece que o Brasil é o Equador de outros tempos. E vice-versa.

Para quem será que o velho Moacir estará torcendo esta noite?

(Com participação de Roberto Salim.)

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