Breno, a segunda chance

Antero Greco

16 de janeiro de 2015 | 18h20

Salve, pessoal. Retomo o blog depois de um período de hibernação. A proposta continua a mesma de cinco anos atrás, quando comecei a aventura no site do Estadão: debater, comentar, trocar ideias a respeito de assuntos do momento no esporte. Com clareza, independência, senso crítico. Sem pelos na língua, mas com elegância, e, por que não?, com bom humor.

Logo de cara, um fato que me chamou a atenção, nos últimos dias, foi a volta de Breno ao Brasil. Mas especificamente, ao São Paulo, em que se projetou anos atrás, a ponto de chamar a atenção do Bayern de Munique. Os alemães pagaram, na época, o equivalente a 30 milhões e tantos reais pelo adolescente de 17 anos, bom porte físico e certo talento.

Você sabe que a passagem de Breno no país campeão do mundo foi um desastre, dentro e fora de campo. Jogou pouco, contundiu-se várias vezes, perdeu espaço e a cabeça. O processo de piração desembocou numa bebedeira, que o levou a tocar fogo na casa. Processo, condenação, três anos de prisão e dispensa do Bayern foram as consequências do destempero.

O São Paulo mostrou interesse em repatriá-lo, ainda quando amargava a reclusão. E, tão logo a justiça da Alemanha o liberou, apressou os trâmites para a contratação. Vi a entrevista do rapaz, na apresentação à imprensa, e fiquei convencido de que não se pode negar-lhe nova oportunidade.

Por vários motivos: o primordial é o direito que qualquer homem tem de recuperar-se, de dar a volta por cima, de sair do buraco em que se meteu. No caso de Breno, ajunte-se o fato de que ele pagou pelo erro, pela atitude considerada criminosa. Expiou a falta, saiu limpo.

Eis um exercício de compreensão e tolerância básico. Se alguém cumpre uma pena fica quites com a sociedade. Não pode, portanto, ser estigmatizado pra sempre. Não pode ser marginalizado. A prisão, teoricamente, é um período de recolhimento para quem pisou fora da lei resgatar a honra. Sei, sei, não sou ingênuo a infelizmente não é assim na maioria dos casos.

Pode ser o de Breno. Mostra civilidade e senso de cidadania quem abre portas, literalmente, para ex-detentos. (Há vários programas bacanas aqui no Brasil). O São Paulo fez isso com Breno e não tem pressa de colocá-lo para jogar. Cabe a Breno comprovar, na prática, que superou o passado tumultuado e que, com 25 anos, ainda tem muito para oferecer aos fãs tricolores.

Perseverança e boa sorte.