Brevíssimo encontro com Dunga

Antero Greco

17 de maio de 2011 | 17h56

Fila em ziguezague na área de embarque internacional do aeroporto de Cumbica. Um mar de gente virando pra cá e pra lá, à espera de passar nos controles de bagagem de mão e de passaporte. Eis que, de repente, frente a frente, a um metro de distância, vejo Dunga, de camisa azul, calça jeans e sapato preto bico fino.

O treinador, de quem não pude chegar a menos de 20 metros de distância durante a Copa da África, aparentemente estava distraído, a conversar com um casal a sua frente. Atrevi-me a cumprimentá-lo com um singelo “Olá, Dunga, como vai?”, pois me pareceu o cúmulo da indiferença fingir que não o havia visto. Noto um átimo de vacilo, até que me balbucia, de volta, qualquer coisa como: “Tudo bem”.

Assim como ocorreu em Johannesburgo, deu-me vontade de puxar conversa com o ex-treinador da seleção, trocar ideias sobre aquele período, saber como ia sua vida, para onde iria viajar, como tem seguido o futebol. Notei, porém, que não havia espaço para tanto. Algo no olhar de Dunga me fez pressentir que seria perda de tempo insistir na abordagem, por mais prosaica que fosse.

Sei lá, pode ter sido impressão equivocada minha, resquício dos dias de convivência gélida no Mundial. Talvez ele nem saiba quem eu seja, tão raros foram os momentos em que tivemos contato, ao longo de minha carreira de cronista e da dele, como jogador, como treinador e, em breve período, como comentarista de televisão.

A fila prosseguiu no seu serpentear, vi Dunga a conversar só com as mesmas duas pessoas de antes. Não notei ninguém mais que o chamasse, seja num aceno, seja para pedir um autógrafo, seja para uma foto. De novo, posso ter cometido um erro de interpretação, pois não o vi antes de chegar à fila e não posso afirmar que tenha passado despercebido pelas pessoas no aeroporto lotado. Talvez, não.

Certo, porém, que naquele espaço pequeno da área de embarque não causou frisson, como seria de esperar de um personagem tão público. A resposta talvez esteja no fato de que não é tão popular. Por opção dele.

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