Bronca como marketing

Antero Greco

25 de maio de 2015 | 19h18

Não gosto de exibições públicas de autoridade. Se o chefe está aborrecido com alguém, chama-o à parte e bate um papo. Se o descontentamento for com o grupo, leva o pessoal para uma sala e lá, fora da vista dos demais, manda o recado. Quem reúne os comandados diante de todos me parece preocupado mais com a própria imagem. Não vejo como eficiente estratégia de gerência.

Com o parágrafo acima, suponho que fica clara minha posição em relação à conversa que Alexandre Mattos e Oswaldo de Oliveira tiveram com o elenco do Palmeiras na tarde desta segunda-feira. Cobrar resultados é uma das atribuições do executivo, sem dúvida. Mattos está nessa posição a mando da presidência e tem direito e obrigação de revelar aos jogadores se a empresa anda satisfeita com a produção deles. Oswaldo é o gestor direto e está sendo pressionado.

Só não precisa ser da maneira como ocorreu. Não faz sentido Mattos interromper atividade geral – reservas no campo, titulares na academia – para a reunião improvisada diante de “estranhos”, entendidos aqui como estranhos demais funcionários do clube e imprensa. E todos serem levados a um canto para o pito, como se fosse uma bronca da diretora da escola e do bedel nos alunos.

Se há necessidade de puxar as orelhas, que sejam marcados horário e local específicos para tal. Todos ficarão mais à vontade para ouvir e falar. E mais: ninguém gosta de repreensões com plateia. O roteiro que se seguiu parece mais adequado para reforçar a figura de Mattos e, por extensão, também a de Oswaldo de Oliveira.