Busto para Sócrates, a justa homenagem alvinegra

Antero Greco

24 de julho de 2012 | 19h20

O Corinthians vai inaugurar no sábado busto de Sócrates. Homenagem justa. O Doutor não foi formado no clube, nem o defendeu durante toda a carreira, mas teve passagem marcante pelo Parque São Jorge. Os anos de 1978 a 1983 representaram período diferente, com forte ebulição política interna, acompanhada devidamente de futebol de qualidade.

E Sócrates teve papel importante nessa fase. Ele foi um dos mentores, senão o principal, da Democracia Corintiana, movimento único no esporte brasileiro, em que os atletas tinham voz ativa em decisões que os envolviam. Num tempo em que havia restrições severas à liberdade do povo, os alvinegros davam seus pitacos, exerciam o direito da cidadania.

Houve resistência, tanto por parte do elenco como de cartolas. Nem todos entenderam a proposta e a tomaram apenas como “bagunça, esbórnia, caos”. Exageros e erros ocorreram, como em qualquer processo inédito. Prevaleceram, porém, os bons propósitos e a inteligência do Magro a jogar luz sobre seus companheiros. Os boleiros não se preocuparam só com pagode, mas também em engajar-se por ações como as Diretas-Já.

O Corinthians ganhou, o futebol também. Ganhou o Brasil, que começava a buscar o caminho irreversível da democracia. Sócrates foi importante nesse laboratório, mesmo que em seguida tenha partido para aventura frustrada na Itália. Aventura que durou uma temporada apenas. No regresso, jogou aqui e ali, mas não foi mais o mesmo. Nem na Copa de 1986. Pouco importava; já havia consolidado o nome como craque.

Não é por acaso que virou referência no Corinthians e entrou para a galeria dos grandes ídolos da Fiel. Por isso, merece a lembrança – como merecem todos os jogadores que, de fato, marcaram época por onde passaram. O busto do Doutor vai enriquecer o clube e, sempre que alguém parar para admirá-lo, poderá dizer: “Esse foi um brasileiro batuta.”

Sorte de quem foi contemporâneo de Sócrates. Nessas horas ter um pouco mais de idade – como é meu caso – soa como privilégio. E como ele faz falta…

 

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