Calendário joga contra os times

Antero Greco

09 de maio de 2011 | 21h00

Discussão antiga e recorrente voltou a ganhar espaço, nos últimos dias, por causa sobretudo do Santos. O time de Muricy Ramalho está na final do Campeonato Paulista e tem compromissos pelas quartas de final da Taça Libertadores, com viagem para a Colômbia entre dois clássicos domésticos. No meio dessa história, já teve baixas de titulares como Elano, Leo, Arouca, por contusão, e agora perdeu Ganso por 45 dias.

O desgaste alvinegro é apontado como principal fator para a enfermaria estar lotada – e sempre recebe novos pacientes. Os desfalques se refletem no desempenho da equipe, que obviamente não mantém a regularidade. Daí para decepções fica uma distância muito pequena. O que despontava como  momento de glória se transforma em apreensão e, em muitos casos, motivo para crise.

O assunto volta meia vem à tona, parece coisa velha, vira folclore e não tem a abordagem devida. O calendário é apontado como vilão – e não deixa de ser verdade. Pela forma como são distribuídas as competições, há acúmulo de jogos, especialmente para os times que, por eficiência, alcançarem fases decisivas dos torneios de que participam. A boa qualidade de um elenco muitas vezes paga preço igualmente alto.

O Santos, por exemplo, jogou 30 vezes em pouco mais de três meses. O que significa praticamente um jogo a cada três dias. Mesmo com todos os recursos disponíveis para recuperação física, existe um limite, e ultrapassá-lo significa correr riscos de contusões. Batata! Elas veem, não por acaso, na reta final dos torneios, no momento em que se exige mais dos músculos, dos nervos, da mente. O corpo sente.

Há saída para isso? Sim. Uma delas seria ampliar os elencos. Muitos clubes mantêm grupos com 30, 35, até 40 jogadores. A qualidade, porém, é muito desigual. Não há um time, no Brasil, com capacidade para colocar duas formações diferentes e quase não perder a qualidade. Não há recursos para sustentar plantéis ecléticos, como têm Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Milan, para ficar em alguns grandes europeus.

Uma alternativa seria a racionalização do calendário. Como? Com melhor distribuição dos eventos. Por que não estender a Copa do Brasil ao longo do ano, junto com os estaduais e o Campeonato Brasileiro? Por que não ter a Libertadores também disputada em espaço maior, ao lado da Copa Sul-Americana? Por que concentrar campeonatos em um semestre apenas, com aperto de um lado e folga de outro.

Repare que há o outro lado dessa moeda. Uma equipe eliminada da Libertadores (como foi o caso do Corinthians) limita-se a um campeonato no primeiro semestre, e tem seu elenco subutilizado. O Botafogo-RJ ficou fora das finais do Estadual e sai logo da Copa do Brasil. Ficará um mês sem jogar, até estrear no Campeonato Brasileiro. O Santos, ao contrário, joga muito, e corre o risco de não ganhar nada e ainda se esborrachar.

Custa convencer cartolas e as tevês de que o calendário merece revisão?

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