Calleri, artilheiro cabeça quente

Antero Greco

19 de junho de 2016 | 22h17

O que se pode dizer de Jonathan Calleri? A cada dois jogos, marca um gol. Ganha quase toda as divididas, é jovem promissora e vai deixando o nome na história do São Paulo, mesmo que fique só até o final da Libertadores.

Neste domingo, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, o argentino confirmou outra característica de sua personalidade futebolística: fala demais, reclama na hora errada. Por isso, foi expulso bestamente, deixou os companheiros em desvantagem durante metade do segundo tempo. A partida terminou no empate por 2 a 2 porque nos descontos Alan Patrick mandou pênalti para as nuvens.

E o que Calleri fez até receber o segundo cartão amarelo por reclamação contra o árbitro Elmo Resende? Até ser expulso, tinha sido o algoz de um Flamengo melhor distribuído em campo, que teve mais posse de bola,  escanteios e chances, e que tinha parado em grandes defesas de Denis inspirado.

Mas Calleri cumpriu a sina de goleador. Aos 12 minutos,  depois de uma pressão intensa dos adversários, surgiu na cara de Alex Muralha.  Recebeu passe perfeito de Ganso, que, com apenas um toque na bola, armou contragolpe mortal. Está certo que o argentino se chocou com Márcio Araújo, mas o árbitro não viu a falta no início da jogada: 1 a 0 para o São Paulo. O Fla não se abalou e empatou com gol contra de Rodrigo Caio. 

No começo do segundo tempo, outro passe de cinema: desta vez no cruzamento de Kelvin. Quem estava na área para cabecear? Calleri, é claro. São Paulo novamente na frente no marcador.  Mas o Flamengo continuava a jogar melhor e empatou com William Aarão. 

Calleri faria mais gols? Colocaria o São Paulo de novo na dianteira? Não,  ele iria  discutir com o juiz duas vezes, em lances, inconsequentes, tomaria dois cartões e iria para o chuveiro aos 22 minutos. 

Aí que o São Paulo se retraiu mesmo e viu o Flamengo pressionar, mandar bola na trave e ter a chance definitiva aos 48 minutos, na chance perdida por Alan Patrick.

Além de goleador e cabeça quente, Calleri tem sorte.

(Com participação de Roberto Salim.)

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