Carnaval: trabalho ou folia para boleiros?

Antero Greco

13 de fevereiro de 2015 | 18h31

Entra ano, sai ano e na época do carnaval ressurge a questão: jogador de futebol pode ou não divertir-se nesses dias especiais? A resposta é: depende. Epa, parece postura mureteira, de quem não quer se comprometer com o assunto! Mas se trata só de bom senso. Me acompanhe.

Pra início de conversa, tem muita gente que leva carnaval a sério, curte pra valer sair em escolas de samba, cair na farra em salões ou mesmo em blocos de rua. Nada contra, pois se aborda uma manifestação cultural de enorme tradição no País. E respeito os gostos da cada um. Quem puder que aproveite.

No caso do futebol, há particularidades. Muitos anos atrás, parava tudo, da sexta-feira até a quarta ou a quinta-feira seguintes. Os clubes não tinham nada pra fazer e a maioria liberava os atletas, com aquelas recomendações de praxe (não abusem, não durmam pouco, não bebam, etc. etc) que poucos seguiam. Depois, se recuperavam com tônicos e treinos extras.

Agora mudou. Os calendários são cheios, apertados, com campeonatos variados e a todo momento. Por isso, faz tempo, mesmo em lugares em que a festa rola solta (Rio, Recife, Salvador), que há jogos programados ao menos para o sábado de carnaval. Só nisso, já se foi parte do “feriado”.

Sem contar as partidas já na quarta-feira de Cinzas, caso de São Paulo e Corinthians, que estreiam na fase de grupos da Libertadores. Estes precisam treinar com mais intensidade até. Imagine se eles parassem todos os dias no período: na volta, seria um jogo de esbagaçados, a maioria se arrastaria em campo. Por isso, a necessidade de rotina diferente dos demais.

Já os que tiverem  brecha, o mais saudável é soltar a moçada. Não adianta fazer como certos treinadores, que marcavam treinos no domingo, na segunda-feira de Carnaval por birra, por acharem que dessa maneira controlariam o grupo. Besteira, só estimulavam relação hipócrita (tinha gente  que ia treinar cheio de serpentina e com olheiras…).

O melhor é ter papo franco e entender o temperamento de cada um. Tem boleiro que, depois da esbórnia, volta mais animado pros desafios da temporada. E os que forem de fato obrigados a abrir mão do Carnaval que se conformem: há profissões que impõem sacrifícios. Médicos, bombeiros, policiais, pessoal de serviços…milhões trabalham no Carnaval. Jornalistas também! É a vida.

E bom Carnaval pra quem puder curtir.

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