Cartola do Fla, o maior desafio para a carreira de Zinho

Antero Greco

12 de maio de 2012 | 20h29

Passei um tempo do sábado a ler material a respeito da nova aventura de Zinho. O ex-jogador e até dia destes comentarista de tevê aceitou o desafio de dirigir o futebol do Flamengo, a convite da presidente Patrícia Amorim. É mais um ídolo para o qual o rubro-negro apela, na tentativa de ajustar-se. Vai dar certo? Não sei – e sou um tanto cético.

Zinho é bacana, respeitado e admirado no meio. Como atleta tem currículo impecável e vencedor – no Flamengo, no Palmeiras, no Grêmio, na seleção, no exterior. A carreira foi longa, daquelas que chegam até o sujeito dobrar os 40 anos. Conseguiu isso por se cuidar – atleta responsável. Enfim, exemplo e tem o que contar e mostrar aos jovens profissionais.

Essas qualidades o qualificam para a função? Sim, claro. Mas não garantem de antemão sucesso. Se fosse apenas para lidar com egos, com as manhas e com as espertezas e fraquezas de boleiros, tenho certeza de que Zinho conseguiria tirar de letra. O trabalho, porém, não se limita a colocar em prática o que aprendeu em anos e anos de gramados e concentrações.

Zinho terá de lidar com pressões, jogos de interesses, choques de personalidades. O Flamengo é enorme, uma nação – e com isso os conflitos são permanentes e devastadores. Júnior, alguns anos atrás, e Zico mais recentemente são dois exemplos de ícones flamenguistas engolidos por atitudes nem um pouco enobrecedoras. Resistiram por pouco tempo, antes de jogar a toalha.

Tomara Zinho tenha mais sorte e jogo de cintura, para dobrar desconfianças e interferências. É bem diferente de enfrentar botinadas de zagueiros, xingamentos de torcedores. Se passar por essa prova, abrirá caminho para tornar-se referência na profissão. Caso contrário, não demora muito e a televisão resgatará um aprendiz de comentarista. (Vinha bem, no canal pago. Ainda um tanto tímido, mas com potencial para deslanchar.)

 

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