Cartola tricolor parece dar mais importância ao Corinthians

Antero Greco

11 de julho de 2013 | 22h35

Tem cartola que, a partir de determinado momento da carreira, precisa ser levado na galhofa. Caso contrário, só irritará os torcedores – os do time dele, em primeiro lugar, e o de alguns rivais. Exemplo ilustre disso é Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, conhecido por suas tiradas curiosas, ironias de almanaque e provocações.

O dirigente tricolor, que não larga o poder de jeito nenhum, abusa da imagem blasé, debochada, que durante um tempo surtia efeito, mas que hoje só depõe contra si. Ele recorre a gozações e frases de efeito duvidoso, sempre que é questionado sobre temas delicados do clube que comanda há anos, com direito a reeleições. Se a pergunta for embaraçosa e pode expor fragilidades, sai pela tangente. Como políticos matreiros.

Nesta quinta-feira, sem que lhe pedissem, desandou a enumerar os técnicos que o Corinthians teve nos últimos dez anos. Deu-se o trabalho de pesquisar (ou mandou alguém fazer isso pra ele) as trocas de comando no alvinegro, para demonstrar que o São Paulo não é o primeiro a optar por essa solução sempre que os resultados não vão bem.

Ora, dessa forma Juvenal quis desviar a atenção para os descaminhos do clube dele e deu margem para apenas reforçar a impressão de que se perdeu o rumo. Se o Corinthians não muda de treinador há bastante tempo, é sinal de evolução. Parabéns, portanto. Se o São Paulo, que não apelava para o vaivém de “professores”, agora é adepto dessa prática, significa que regrediu. Melhor cuidar do quintal dele e deixar em paz o do vizinho.

Autuori foi apresentado com os rapapés de praxe nessas ocasiões. E, como ocorre com 10 entre 10 treinadores, teceu elogios ao grupo, à torcida e prometeu trabalho e superação. Vamos ver até onde o São Paulo tolera eventuais tropeços.

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