Campo de golfe e valorização imobiliária

Antero Greco

23 de dezembro de 2015 | 17h51

Diz o velho ditado que o santo desconfia quando a esmola é demais.

Era o que todo mundo no Rio sabia a respeito da construção do campo de golfe olímpico, numa área polêmica de terrenos sob suspeita de grilagem e, ainda por cima, de proteção ambiental.

A discussão era: por que um novo campo na cidade que tem dois clubes de peso: o Gávea e o Itanhangá?

Ninguém respondeu com precisão, mas muita gente matou a charada: a instalação olímpica serviria para transformar em área regularizada pela Prefeitura um enorme terreno que estava em disputa na Justiça. As denúncias foram muitas, mas, como numa historinha infantil, inventaram um monte de presentinhos de Papai Noel para justificar o grande negócio imobiliário da Barra da Tijuca.

Uma das lorotas: depois dos Jogos Olímpicos, o campo de golfe seria entregue à população carioca para sua utilização. Seria um campo do povo… E, como todo povo tem dinheiro para tacos, bolinhas, roupas e tudo mais, o campo seria mantido pelas autoridades municipais e pela Confederação Brasileira de Golfe.

Mas a Olimpíada ainda nem começou e já surge a discussão entre o prefeito e o presidente da Confederação para saber quem vai pagar a conta mensal da manutenção do empreendimento, dito, esportivo. “Um grande negócio imobiliário”, sempre acusou o deputado Marcelo Freixo ao se referir ao legado olímpico.

Enquanto isso, as torres de prédios que ficam no condomínio obtiveram licença oficial para ganhar mais andares. O negócio vai de vento em popa.

O campo veio “de graça” para a população olímpica do Rio. Depois dos jogos, alguém vai pagar a conta. Ah se vai!!!

(Com participação de Roberto Salim.)

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