CBF e federações chiam, mas se rendem a clubes

Antero Greco

27 de outubro de 2015 | 20h26

A CBF e diversas federações haviam jurado, nos últimos dias, que não aprovariam a realização do campeonato proposto pela Liga Sul-Minas-Rio. Cartolas de alto e baixo coturnos arrotavam autoridade e prometiam bombardear a entidade, que veio para incomodá-los.

Daí, há reunião na sede da CBF, com toda a cartolagem presente, e o que acontece? A Liga tem aval, embora com “restrições”. Os supostos donos da bola dizem que a competição só sai se forem feitas adequações ao calendário já divulgado, ao Estatuto do Torcedor e etc e tal.

Ou seja, a CBF e seus parceiros tentam mostrar força que, sentem, podem perder, se os clubes deixarem de ser submissos e se derem conta de que são fortes. Eles são os protagonistas do futebol, a razão de ser dos espetáculos e da grana que se movimenta, cada vez mais, com ingressos, patrocínios, direitos de transmissão.

As federações são figuras decorativas, nichos para exercício de poder, instituições arcaicas, superadas, sem função no esporte moderno. E a CBF entra nessa; a atribuição dela seria apenas a de cuidar das seleções – e olhe lá, pois até nisso vacila.

Claro que ainda haverá queda de braço, com ameaças de entraves para a Sul-Minas-Rio. Mas, se a turma que está no comando dessa empreitada não cair na conversa do medo, o torneio sai e será um sucesso. Um indício de que se trata de negócio promissor está na televisão: várias redes, Globo à frente, se interessaram.

E, se a tevê enxerga possibilidade de sucesso de audiência e renda, não haverá CBF ou federações que vão sufocar a iniciativa.

A hora é esta.

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