CBF e intolerância

Antero Greco

08 de setembro de 2015 | 22h24

Desde o final de semana, tenho recebido centenas de mensagens carinhosas, em apoio à minha decisão de não usar mais o Twitter como forma regular de informar, comentar, interagir. Larguei essa rede social (só servirá para divulgar links de meus comentários no blog) por me estufar das ofensas e agressões pelo crime de emitir opinião. Esquivo-me, agora, de um dos tantos meios de intolerância de que se servem as pessoas para impor pontos de vista.

Não imaginava, porém, que viesse a servir de exemplo para a CBF justificar dúvidas que pairam em torno das atividades dela e de seus dirigentes. Nesta terça-feira, surpreendi-me com artigo assinado pelo presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, em que cita meu nome e alguns trechos de meu desabafo na mídia virtual, para alicerçar posições oficiais.

Como a referência é respeitosa, não tenho nada a reprovar.  Assim como não tenho nada a ver com a CBF nem qualquer entidade esportiva. Elas lá e eu cá. Mas, como está na minha crônica a ser publicada no Estadão nesta quarta-feira, preferia que a CBF fizesse bem a parte dela nesta campanha por um futebol transparente, profissional e com o mínimo de polêmicas.

Como? Se olhasse com muito cuidado e sensibilidade os jogos que Corinthians, Atlético-MG e Grêmio têm pela frente. O trio postulante ao título merece arbitragens de primeira linha, para que não se dê margem a teorias de conspiração. No entanto, o que faz a CBF? Escala trio mais jovem para apitar o jogo do Galo e coloca para o clássico do Timão com o Grêmio um juiz que já foi pivô de discussão em jogo entre essas equipes anos atrás.

Daí, não adianta falar que os ânimos estão exaltados, que o fanatismo impera, etc e tal. Também não fará efeito algum elencar jornalistas (além de mim, foram lembrados outros colegas) que tiveram dificuldade por causa de posições extremadas de torcedores.

De minha parte, posso garantir apenas o seguinte: as trincheiras habituais que tenho para combater o bom combate continuam intactas. E são o Estadão impresso, o blog que o site do jornal abriga e o trabalho na ESPN Brasil. Essas são minhas tribunas, e às quais devo obrigações e reconhecimento pela liberdade que me concedem.

O Twitter era um “divertimento” que virou pesadelo. Sem contar, claro, que não me dava conta de que trabalhava de graça e ainda era insultado! Não tenho tendência masoquista.

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