Corinthians: reforma ainda só na conversa

Antero Greco

20 de junho de 2015 | 23h47

Deixei passar algumas horas antes de escrever sobre o jogo que o Corinthians fez com o Santos, na Vila Belmiro, para baixar um pouco a poeira. Mas, se tivesse feito o comentário no calor da hora, logo depois da derrota por 1 a 0, neste sábado, não mudaria muito o tom. Porque a constatação é óbvia: a reforma alvinegra ainda está só na conversa, não saiu do papel.

Aliás, tenho ficado com pé atrás toda vez que escuto ou leio que “o Corinthians está em reconstrução”. Que reviravolta é essa em que se vê jogador indo embora ou se ouve falar que este ou aquele está de saída? Que guinada é essa em que dívidas aumentam, salários atrasam e se fala em enxugar a folha de pagamentos e o elenco diminui? Cadê os planos grandiosos de início de ano?

O Corinthians derrete e ainda vende a ideia de que tudo está dentro da normalidade e do planejado? Pior é que muita gente acredita. Se fosse só torcedor, ainda vá lá; o amor pelo clube faz com que se aceite qualquer explicação, desde que alivie a realidade ruim. O problema é gente do ramo, como jornalistas por exemplo, encamparem essa conversa fiada.

E o rojão sobra para o técnico. Tite está com rabo de foguete e tanto nas mãos. Já viu Sheik e Guerrero saírem. O próximo deve ser Fábio Santos. A lista ainda pode ser engrossada por Petros, Ralf, Gil e até Elias. Danilo confidenciou que não continua após o fim do contrato. Some-se a isso que “reforços” não vingaram. Cristian está machucado, Vagner Love não se firma, Edu Dracena passou do ponto.

Consequência dessa embrulhada: futebol ruim de doer no clássico. O Corinthians mal incomodou Vladimir: não chutou (ok, mandou duas bolas na trave, mais por pressão desordenada do que por jogadas bem elaboradas), não criou, tampouco pressionou. Passou grande parte do tempo com bola pra cá e pra lá sem sentido.

Para quem se ilude com estatística, até apareceu que teve mais posse de bola. E daí? Pra fazer o quê? Para nada. Em vez de ser estratégia para envolver o rival se mostrou alternativa para ninguém se comprometer.

E o Santos nem foi muito melhor. Apenas um pouco menos desajustado do que em outras ocasiões. É também bastante limitado. Só que contou com Ricardo Oliveira inspirado, ao fazer outro gol e ao liderar os companheiros dentro de campo.