Cem gols de Marta na seleção

Antero Greco

13 de dezembro de 2015 | 22h59

Um pênalti logo no início da partida contra as mexicanas. Outro pênalti aos 10 minutos do jogo realizado na Arena em Natal. Pronto, Marta completou cem gols pela seleção brasileira de futebol.

Seleção que é a modalidade mais massacrada do esporte nacional. Equipe que já brilhou em Olimpíadas e Mundiais, mas que pagou o preço de viver sob o jugo da CBF. Dos tempos da inigualável Sissi até a fantástica Marta – eleita cinco vezes a melhor do planeta bola –, o futebol feminino foi sugado pela indiferença de quem deveria olhar por ele.

Já houve de tudo com as meninas boas de bola, de assédio sexual a desprezo em competições internacionais, quando foi negado às jogadoras levarem para casa o uniforme que vestiam em campo nos Jogos Olímpicos. Uniformes que foram trocados em rodas de cerveja por quem deveria preservá-los.

A própria goleira Maravilha, símbolo de luta e denúncias na seleção, pôs a boca no mundo e disse que o dinheiro que a Fifa dava à CBF para desenvolvimento do futebol feminino no País “nunca chegou à preparação da equipe”.

Mas as jogadoras enfrentam tudo. Marta faz cem gols com a camisa amarela, brigou com a mexicana Esmeralda, teve o pescoço arranhado, levou cartão amarelo e foi substituída pelo técnico Oswaldo Alvarez. Aliás, Vadão é um técnico de verdade e digno.

Essa turma luta contra tudo e todos. E o placar contra as mexicanas foi 6 a 0. Quarta-feira tem mais contra o Canadá.

Tudo como preparação para os Jogos Olímpicos do Rio – quem sabe até lá a CBF já tenha passado por dedetização.

(Com reportagem de Roberto Salim.)

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