Corinthians relaxa e toma castigo

Antero Greco

26 de julho de 2015 | 18h42

Há no futebol cochilos inadmissíveis e imperdoáveis. Uma delas é a de um time que briga por liderança se acomodar depois de vantagem – e vantagem por diferença mínima, sobre rival na zona de rebaixamento. Acha que está tudo bem, situação sob controle e três pontos mais no bolso. Até relaxar perto do fim e tomar gol de empate. Castigo para o desleixo e para a falta de apetite.

Pois bem, esse resumo se encaixa no que fizeram Corinthians e Coritiba, no jogo disputado na tarde deste domingo, no Couto Pereira. O time paulista briga pela ponta do Brasileiro ponto a ponto com o Galo, que fez a parte dele no sábado e venceu. Vai ao Paraná, topa com um adversário preocupado com o fantasma do rebaixamento, faz 1 a 0 ainda no primeiro tempo e… abre mão de forçar e aumentar a diferença.

O Corinthians repetiu estratégia de outras partidas, em que a filosofia da “goleada por 1 a 0” se mostrou eficiente. Depois do gol de Felipe, ao desviar cobrança de escanteio, se acomodou, apostou na intranquilidade do Coxa para eventualmente fazer outro gol e deixou o tempo passar. Trocou passes, virou para cá e pra lá, fez a alegria dos amantes de estatísticas de posse de bola e mal chutou a gol.

Para ser justo, teve um lance, em cabeçada de Edu Dracena que obrigou Wilson a defesa espetacular. E mais nada. Enrolação, conversa mole pra boi dormir, até despertar o Coritiba, que se lançou ao ataque na boa vontade, na ânsia de driblar outra derrota e o fundo da tabela. Foi premiado com Evandro aos 46 minutos.

O Corinthians baseia muito a confiança na qualidade do sistema defensivo – que, de fato, é bom. E na regularidade do meio-campo. Mas abusa no pão-durismo de jogadas ofensivas e às vezes se dá mal. Como no duelo com o Coritiba. Resultado ruim para quem tem pretensões de título. Além de mesmice sem graça para um técnico como Tite, que é visto como inovador.