Centroavantes*

Antero Greco

25 de setembro de 2015 | 15h32

Centroavantes chamam a atenção – sempre. Nos últimos dias, por uma série de coincidências, a turma acostumada a fazer gols (e a perdê-los) tem atraído holofotes, por situações boas ou complicadas. Vale a pena começar pelo aspecto positivo.

Para abrir a lista, o mais adequado é Ricardo Oliveira. O goleador do Santos e do Campeonato Brasileiro anda numa fase extraordinária, ainda mais por não se tratar de garoto; já dobrou os 30 anos há bastante tempo. A facilidade com que manda a bola para as redes ajudou a equipe dele a conquistar o Paulista, a reagir com vigor na Série A e também a avançar na Copa do Brasil.

O reconhecimento veio ontem, embora por vias tortas. Com o corte de Firmino, por contusão, Dunga resolveu chamá-lo para integrar a seleção que logo mais estreará nas Eliminatórias para a Copa de 2018 contra o Chile e a Venezuela. Lembrança justa do treinador, que recorre a um veterano que se comporta como menino, no fôlego e na disposição com que se apresenta nas divididas. Muito mais sensato do que apelar para algum “estrangeiro”.

Se Ricardo Oliveira dará conta do recado, se continuará no futuro a ser chamado, é outra história. Talvez não tenha pique para chegar ao torneio na Rússia – não se sabe. Vale o momento, e neste quesito a amarelinha lhe cai bem, e merecidamente.

Com a convocação de Ricardo, de novo Alexandre Pato ficou em segundo plano. O goleador do São Paulo curte a etapa mais regular e produtiva da carreira, ainda assim insuficiente para transmitir segurança para a Comissão Técnica da CBF. Antes da chegada de Juan Carlos Osorio, já ensaiava bom desempenho; com o colombiano ganhou espaço, confiança e continuidade. Não se exagera com a afirmação de que, no momento, é o principal nome na trupe tricolor e compensa a instabilidade da equipe.

Pato bate Ricardo Oliveira na idade, o que deveria pesar em favor dele, para trabalho de longo prazo. Talvez não supere o santista em confiabilidade – e Dunga deixa claro que os resultados são para agora. O receio, provavelmente, recaia na condição física de Pato, sujeito a paradas repentinas (agora mais raras). Dunga tem necessida de vitórias. Por aí, a escolha de Ricardo faz sentido.

A propósito de crítica, um parêntese. Em entrevista ontem, ao Sportv, Pato disse que apenas quem esteve no campo, entenda-se ex-jogador, está em condições de fazer críticas no futebol ou atuar como comentarista. Visão distorcida, superficial, preconceituosa e pueril, mas comum entre boleiros.

Nessa linha de raciocínio, vale o inverso: ex-atleta jamais poderia ser jornalista, se nunca estudou para exercer a profissão. Ou, talvez porque muito de seus ex-colegas de vestiário usem o jornalismo como bico ou passatempo à espera de “algo melhor”, ele veja a atividade como divertimento, extensão dos gramados ou Ação entre Amigos. Não tem ideia do que seja, de fato, ser um Jornalista.

Madura foi a constatação de Fred, na volta do Fluminense aos treinos, após o empate com o Grêmio pela Copa do Brasil. O atacante que há semanas não marca foi sincero ao revelar que a luta de sua equipe é contra o rebaixamento no Brasileiro. Verdade. O tricolor despencou, no desempenho e na tabela da divisão de elite, e daqui em diante tratará de salvar a pele e ficará feliz se terminar o ano sem a queda. Poucos têm coragem de tocar na ferida como fez Fred.

Numa semana em que Luís Fabiano foi parar no hospital, por causa de uma caída de mau jeito (no jogo com o Vasco) e em que Lucas Bbarrios perdeu pênalti (no Inter x Palmeiras), quem roubou a cena e fez bonito foi Lewandovski. O polonês do Bayern de Munique saiu do banco de reservas, no início do segundo tempo do jogo com o Wolsfburg, e em nove minutos fez os cinco gols da virada por 5 a 1. Vai ser exagerado assim em Varsóvia!

*(Minha crônica publicada no Estadão de hoje, sexta-feira, dia 25/9/2015.)

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