Cheiro de fritura no Barcelona

Antero Greco

19 de janeiro de 2015 | 17h59

Treinador de futebol sabe que arrumar encrenca com figurinha carimbada é casca de banana. Um dos caminhos mais rápidos para derrubá-lo, ainda mais se não tiver nome e currículo suficientemente fortes para aguentar o tranco. Bater de frente com astros de elenco abrevia qualquer aventura em time grande. Salvo exceções.

Luis Enrique se encaixa nesse perfil. O técnico do Barcelona não tem lastro para impor-se diante de um grupo de cobras criadas e, em alguns meses no cargo, já arrumou atritos com Messi e Neymar. Só os nomes mais caros e badalados da trupe. Nada além disso.

O argentino fez cara feia algumas vezes, diante de decisões de Luis Enrique (como ficar no banco, diante da Real Sociedad logo após as folgas de fim de ano), e há quem garanta que ambos não conversam além do necessário no trabalho. O craque desmentiu, pelo jeito para manter aparências.

Mais explícitas têm sido as demonstrações de enfado de Neymar quando vê a plaqueta de substituição subir e aparece o número 11. O que já ocorreu em 8 das 22 vezes em que começou como titular na atual temporada.

Dias atrás, deixou o campo sem olhar para o professor, e logo depois de marcar dois gols nos 5 a 0 sobre o Elche. Atitude idêntica teve no domingo, ao ceder lugar para Pedro, aos 25 minutos do segundo tempo do duelo com o La Coruña (confira em http://migre.me/ocjnB). Cara amarrada, sentou-se no banco, jogou as luvas no chão e botou as mãos na cabeça.

Luis Enrique jogou no Barcelona, com relativo sucesso entre 1996 e 2004, e lá começou a carreira de treinador, nas equipes de base. Teve uma aventura malsucedida na Roma e outra no Celta, antes de ser chamado para substituir o argentino Tata Martino no meio do ano passado. É, portanto, um iniciante na função.

Nem por isso apela para a política da boa vizinhança com os ídolos. Por convicção tática, ou por birra, tem mantido Messi e Neymar constantemente na mira. Ele deve saber no vespeiro que mexe. A não ser que conte com mão forte da diretoria, o final do filme costuma ser o mesmo: a corda rompe para o lado do técnico. Tem cheiro de fritura no ar pelas bandas da Catalunha.

 

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