Chelsea, o novo-rico que tritura técnicos

Antero Greco

21 de novembro de 2012 | 20h16

O Chelsea tem dinheiro pra chuchu, que não para de jorrar dos bolsos do bilionário russo Roman Abramovich. No aspecto financeiro, faz parte do top internacional. Mas, em termos de comportamento da cartolagem, é igual a clube brasileiro, em que funciona o lema: “O time está em crise? Então, manda embora o treinador.”

E essa filosofia de trabalho, digamos assim, deu o ar da graça nesta quarta-feira. Menos de 24 horas depois da derrota por 3 a 0 para a Juventus, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa dos Campeões, a direção do clube londrino despachou o Roberto Di Matteo. O técnico campeão europeu seis meses atrás foi promovido para o mercado.

O italiano caiu porque a equipe entrou em parafuso. Nas últimas oito apresentações, perdeu quatro (duas no Campeonato Inglês e duas na Uefa Champions League), empatou duas e ganhou duas. No torneio doméstico, está em terceiro lugar, atrás dos dois Manchester, e na competição europeia está com um pé fora da próxima fase. O Shaktar garantiu uma vaga e a outra pode ficar com a Juventus, desde que pelo menos empate na Ucrânia.

O risco evidente de ser eliminado de forma tão precoce na Uefa teria sido a gota d’água para despachar Di Matteo, que pegou a bucha quando o português Andre Villas-Boas foi demitido, ainda na edição anterior da Copa dos Campeões e levou o time ao título. O ex-auxiliar e treinador ganhou projeção com a proeza inédita, mas nunca foi encarado como o profissional com perfil adequado para comandar uma equipe que investe pesado em contratações. Di Matteo teve 62% de aproveitamento de pontos.

O Chelsea sofre do mal dos que têm dinheiro e buscam pedigree: falta de paciência. Como todo novo-rico, tem pressa de obter resultados e status. Se não vêm, trocam-se as peças, compram-se outras. Não é por acaso que, desde que passou ao controle de Abramovich, em 2003, já teve como técnicos Claudio Ranieri, José Mourinho, Avram Grant, Felipão,  Guus Hiddink, Carlo Ancelotti, Villas-Boas, Di Matteo. Esquentam pouco o banco.

Agora chamou o espanhol  Rafa Benitez, que teve como última grande façanha ganhar o Mundial de Clubes em 2010, com a Inter de Milão, e ser demitido na volta. Por coincidência, voltará ao Japão dentro de algumas semanas, para novo Mundial. Quanto tempo vai segurar o rojão?

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