Clima de Santos reacende Gabigol

Antero Greco

25 de fevereiro de 2018 | 22h17

Parece cascata, mas não é. Tem jogador que se dá bem em determinados clubes. Pode ir embora, por um tempo, desanda e se reencontra quando retorna. O mais famoso que me ocorre, sem forçar a memória, é Roberto Dinamite.

Lá por mil novecentos e bolinha, deu tchau para o Vasco e se aventurou a jogar no Barcelona. Quebrou a cara, voltou rapidinho para São Januário e, na reestreia, fez a farra em cima do Corinthians, com cinco gols na vitória por 5 a 2. Regressou para ser ídolo de vez.

Lembrei dessa história ao ver Gabigol marcar pela quarta vez desde que foi acolhido pelo Santos, após desastradas experiências na Inter e no Benfica. O rapaz deixou o carimbo dele na vitória por 2 a 0 sobre o Santo André, na noite deste domingo, na Vila. Anteriormente, havia mandado a bola pras redes contra Ferroviária, São Caetano e São Paulo.

Está feliz da vida. E a torcida alvinegra também, porque imaginava que seria difícil encontrar substituto para Ricardo Oliveira, que debandou para o Galo mineiro.

Gabigol tem 21 anos e as etapas na carreira se sucederam com muita rapidez. Apareceu no Santos como alguém que iria fazer a plateia esquecer Neymar, participou do grupo medalha de ouro nos Jogos do Rio, chamou a atenção dos gringos. Desembarcou na Itália cheio de confiança e, em pouco tempo, desencantou-se e murchou o ânimo dos italianos.

Teve aparições esporádicas na Inter, com menos de seis meses quase é despachado de volta para o remetente. O Benfica foi uma tentativa de recolocá-lo no mercado europeu e ver se o investimento não ia por água abaixo. Travou também em Lisboa. Gabigol não desabrochou em duas das cidades mais bonitas da Europa – e do mundo. E em dois times míticos.

A sorte lhe deu outra oportunidade, com a perspectiva de recomeçar tudo no Santos. E, ao menos por enquanto, não deve estar arrependido. Tem dado conta do recado, faz gols, recupera a autoestima. E, quem sabe?, no futuro possa tentar a Europa novamente.

Os desafios mais agudos virão com a Libertadores, as fases decisivas do Paulista e o Brasileirão. Mas como importa o presente, que curta o bom momento.

Só não pode botar na cabeça que é a salvação da lavoura santista ou que é o herdeiro de Neymar. Daí o caldo entorna. Seja Gabigol, que já estará de excelente tamanho. Respire fundo e encha o peito com os bons ares santistas.

 

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