Conselhos de Rivaldo para jovens craques

Antero Greco

16 de agosto de 2011 | 16h43

Rivaldo defendeu nesta terça-feira a saída urgente de Neymar, Ganso e Lucas. Na avaliação do veterano craque, quanto mais cedo esses jovens deixaram o Brasil, mais rapidamente ganharão fama e respeito internacionais. Usa a si como exemplo – pois se projetou no Barcelona e, de quebra, ganhou o prêmio de melhor do mundo em 1999.

Não se devem desprezar  conselhos e observações de gente com a experiência de Rivaldo. Muito menos se pode desconfiar de suas intenções. Ele tem a visão do boleiro que saiu do país como ídolo – a torcida do Palmeiras jamais o esqueceu – e ganhou a vida lá fora. Não esperaria outra coisa de quem retornou para casa só no capítulo final da carreira.

Não me iludo com a estrutura dos times de cá, ainda falha e com aspectos de amadorismo ultrapassado. Mas alguma coisa mudou – e isso deve ser levado em conta. O exemplo maior vem do Santos. Até bem pouco tempo atrás, Neymar e Ganso teriam batido asas rapidinho, ao primeiro punhado de dólares ou de euros acenados para seus dirigentes.

Agora, os gringos estão a gastar saliva para convencer os rapazes e sobretudo a cartolagem santista a aceitarem sua proposta. Ah, claro, e também se veem obrigados a botar a mão no bolso para arrebatarem esses talentos em ascensão. O São Paulo também não parece aflito para  fazer caixa com Lucas. Os dois clubes brasileiros estão amparados em acordos mais sólidos com o trio. Quer dizer: pagam mais para seus jovens ídolos, mas certamente receberão valores compensadores quando chegar o momento de liberá-los.

A economia mundial tem mudado, o Brasil entrou na rota das potências econômicas, o real está valorizado, há mais gente interessada em investiro no futebol daqui. Não chegou ainda o dia de os times brasileiros virarem importadores de gênios da bola. Mas não está tão distante assim a era em que os brasucas poderão ficar mais tempo por aqui sem se sentirem lesados. E também não vale a pena ir para qualquer lugar, só por que “é no exterior”. Cansei de ver promessas se perderem em centros de menor expressão.

E, quem sabe, não demore para “velhos legionários” como Rivaldo aconselharem os garotos a ficarem.

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