Contradição de Mano

Antero Greco

25 de janeiro de 2011 | 17h29

O Corinthians disputava o título brasileiro, em 2010, e Mano Menezes chamou Elias e Jucilei para amistosos da seleção. Na ocasião, não vingou o argumento de que a ausência desses jogadores poderia atrapalhar a caminhada da equipe deles na competição. Agora, o treinador divulga lista para jogo com a França, no dia 9, sem atletas que atuam no país. A justificativa: não incomodar os clubes domésticos.

Não atrapalhar em quê? Os estaduais estão no início, a Libertadores terá largada só no meio do mês de fevereiro (sem contar os jogos classificatórios de Corinthians e Grêmio), a Copa do Brasil também estará  no começo. De onde vem, então, essa repentina preocupação com as baixas? Esse cuidado era reclamado no fim do ano, pelas poucas opções dos times para substituírem seus titulares em momento de definição. Agora, não haveria problema cederem alguns, porque lhes resta tempo para recuperação. Vai entender…

A volta de Julio Cesar é merecida. Nos últimos anos, mostrou qualidade para ser o dono da camisa 1. Não seria a derrota para a Holanda, no Mundial, a apagar a trajetória do goleiro da Inter de Milão. Vale a pena, também, observar Luisão. Pato anda em baixa no Milan, ao contrário de Robinho, que cavou seu lugar, sobretudo com a saída de Ronaldinho. André também deu uma queda e tanto na Ucrânia. E por que não Luís Fabiano? Seu prestígio despencou tanto assim após a Copa?

Já Hulk é lembrado porque tem feito gols aos montes no Porto. Como havia acontecido, um tempo atrás, com ele mesmo e com Afonso, lembram-se? Ora, e Jonas, artilheiro do Brasileiro de 2010 e agora com um pé no Valencia, não merecia uma chance? Ainda mais que não desfalcaria time brasileiro. Pra mim, Hulk e Jonas estão em pé de igualdade. Com a diferença de que um tem o charme de já atuar no Exterior…

Mano repete o roteiro de seus antecessores, desde Carlos Alberto Parreira em 1994 até Dunga. A cada convocação surgem nomes novos, abre-se o leque, experiências são feitas, e dessa forma há demora para se chegar a uma formação-base. Quem não reclama são os jogadores, pois essa abertura é boa para eles, tanto para os de cá quanto para os que já bateram asas e estão na Europa. A cada oportunidade na seleção, se animam e são valorizados em seus clubes.

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