Corinthians a dois passos da glória

Antero Greco

21 de junho de 2012 | 00h17

Agora falta só a final para o Corinthians enfim atingir a glória. A penúltima etapa foi transposta nesta quarta-feira, com o empate por 1 a 1 com o Santos, no Pacaembu lotado, molhado e emocionado. Uma igualdade arrancada no início do segundo tempo, com o gol de Danilo, o jogador decisivo na Libertadores, e jamais ameaçado depois disso. Ao campeão do ano passado, não bastou o talento de Neymar, autor do gol de abertura e estrela isolada numa equipe sem inspiração.

O Corinthians arriscou, na primeira etapa – e de maneira errada. O time de Tite mudou o scirpt que seguiu à perfeição até o jogo da semana passada na Vila Belmiro: em vez de marcar no campo do rival, como sempre, recuou demais e com isso se expôs. A ponto de permitir que o Santos ficasse em vantagem, pouco antes do intervalo, com o gol de Neymar.

E só poderia ter sido dele mesmo, o único que tratava de sair do lugar-comum, com deslocamentos, com a busca do jogo, mas sem ninguém para tabelar, sem ter sido uma vez sequer lançado por Ganso. Se fosse escolher uma decepção no lado santista, certamente seria o camisa 10. Ele voltou rápido de um procedimento cirúrgico, mas aquém do esperado e do que consegue e sabe jogar. Foi um volante e não o maestro, o pensador. Com isso, o Santos perdeu criatividade e ainda sobrecarregou Neymar.

O Corinthians “estilo Chelsea” do primeiro tempo ainda teve dois momentos de gol: um com Alex, em cobrança de falta, e outro em cabeçada de Jorge Henrique. Nos dois, Rafael apareceu bem para a defesa. Mas pairava no ar a sensação de que o clássico não iria para os pênaltis, como sugeria o placar àquela altura.

A postura do campeão brasileiro, no entanto, mudou na etapa final: William saiu para a entrada de Liedson, o Corinthians abandonou a opção defensiva e foi à frente. O prêmio veio com 2 minutos, apenas: Alex cobrou falta pelo lado esquerdo do ataque e Danilo, livre, empatou. Gol que empolgou os corintianos e abalou os santistas. Gol de um veterano que não se esconde na hora H.

Gol que definiu a sorte do jogo, que colocou o Corinthians na final. O Santos não conseguiu criar mais nada, seguiu no apagão que o dominou nas últimas apresentações na Libertadores e viu ruir o projeto da quarta estrela continental. Estrela que pode ser desenhada pela primeira vez no escudo do Corinthians. E, se vier, será por méritos pelo jogo coletivo e consistente, nem sempre brilhante, mas inegavelmente eficiente.

 

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