Corinthians: a falta que faz o ídolo na hora decisiva

Antero Greco

21 de novembro de 2010 | 21h02

O Corinthians sentiu neste domingo quanto pesa a ausência de um ídolo. A situação parecia sob controle em Salvador até os 27 minutos do primeiro tempo, quando Ronaldo colocou a mão na coxa, caiu e teve de sair de campo. Àquela altura, estava em vantagem de 1 a 0, ditava o ritmo do jogo e complicava a vida do Vitória. Depois, virou time comum, cedeu o empate e não teve força e sobretudo criatividade para vencer. Devolveu a liderança para o Flu e agora depende de milagres para chegar ao título.

Ronaldo não tem jogado o fino da bola – sequer participou da maior parte da campanha alvinegra na Série A deste ano. Não quero, portanto, supervalorizar seu desempenho. Mas não há como negar que, ao voltar na reta final da competição, deu o toque de eficiência que faltava à equipe num momento de turbulência. Nas rodadas anteriores, compensou a pouca mobilidade com colocação extraordinária e eficiência nos passes. Soube dosar o esforço e ser útil na retomada do caminho do penta.

Estava sendo assim no Barradão quase até a hora de abandonar a luta. Ronaldo parecia escondido, vagava pela intermediária do Vitória. Tratava de não chamar a atenção. Aos 24 minutos, receber a bola que Danilo havia roubado no meio-campo. Num reflexo rápido, lúcido, fez a devolução e deixou o próprio Danilo na cara do gol. O meia teve o trabalho de empurrar para as redes. Ronaldo cada vez mais é isso: aparece esporadicamente, mas ajuda a decidir.

O Corinthians ainda tratou de manter o controle e aparentemente não se abalou com o empate no pênalti cobrado pelo goleiro Viáfara. Só que teve de mudar de tática e foi ao ataque, no segundo tempo, ao saber que o Flu batia o São Paulo em Barueri. O duelo em Salvador ficou elétrico e não faltaram oportunidades para os dois lados. Mas o Corinthians sentiu o baque de ficar sem Ronaldo, seu ponto de referência. Iarley e Jorge Henrique correram, se empenharam, suaram a camisa. Nem de longe, porém, levaram perigo ou tiraram o sono da zaga baiana.

O Corinthians ficou igual à maioria dos times que disputam o Brasileiro – e pagou por isso. Com 64 pontos, tem de bater Vasco e Goiás nas rodadas derradeiras e sobretudo torcer para que Palmeiras e Guarani compliquem a vida do Flu. Será? Melhor chamar a ajuda de São Jorge. Se bem que parece missão difícil até para o santo. De qualquer forma, não custa sonhar. E secar.

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