Corinthians age certo no caso de Guerrero

Antero Greco

22 de maio de 2015 | 14h41

A permanência de Paolo Guerrero no Corinthians parece pouco provável. Ao menos neste momento. O impasse pela renovação do contrato do peruano continua e nesta sexta-feira o presidente do clube, Roberto Andrade, deu a entender que a parceria vai acabar por questões financeiras. Em outras palavras: não aceita o pedido do jogador.

As cifras não são muito claras, e o valor exato é relativo. Essa questão, particular, interessa a Guerrero e procuradores, além do próprio Corinthians. E, claro, ao Imposto de Renda. O profissional tem direito de pedir o que considera justo para o valor do trabalho dele. Assim como o empregador analisa a relação custo-benefício, vê como anda o caixa e responde.

E, justamente, por considerar que a grana anda curta, o cartola corintiano adverte que não investirá além do razoável. No que faz bem. A dívida aumenta, há atrasos nos pagamentos de salários e direitos de imagens de vários atletas, tem “papagaios” do estádio voando por aí, as receitas caem (a eliminação na Libertadores pesará na balança) e o laço aperta.

O desgaste no elenco fica evidente. Repare como nas últimas semanas vários jogadores vieram a público discutir a questão salarial. O tema costuma ser tabu no futebol, mas cai por terra no Parque São Jorge. E, quando os boleiros chiam abertamente, é porque a coisa está feia.

O torcedor quer time forte, no que é direito dele. Mas, numa época em que se pede transparência na administração, responsabilidade e honestidade, é preciso entender posturas mais conservadoras dos dirigentes. Melhor pagar menos e honrar compromissos do que assinar contratos milionários e dar calote geral. Também não vale a pena apostar tudo em um nome e descontentar os demais. Ciúme de jogador é coisa séria…

Guerrero é bom jogador, e nada além disso. Bom jogador. Se sair, o Corinthians sentirá. Se ficar, o clube também sentirá… no bolso.

A hora é de reflexão, para os profissionais de dentro do campo e para os administradores.