Corinthians e a pulga atrás da orelha

Antero Greco

15 de fevereiro de 2018 | 00h08

Meu amigo, o Corinthians ainda está no prazo que costumo determinar para emitir um juízo a respeito do que um time poderá mostrar na temporada. O período de observação vai a 10, 12 jogos. Foram 7 oficiais até agora, todos pelo Paulistão. Não fico em estado de alerta, tampouco entusiasmado com a turma de Fábio Carille.

O campeão brasileiro não está com cara boa. Previam-se dificuldades, com a saída de Pablo, Arana, Jô – o que, de resto, não é muito diferente do que ocorreu em outras ocasiões. Não se trata da primeira vez em que o Corinthians passa por um desmanche, mesmo parcial.

Já comprovou poder de reação, ao se reconstruir e dar a volta por cima. Isso serve de consolo e esperança para o torcedor. Porém, o tira-gosto no Estadual não agrada. Até agora, foram quatro vitórias e três derrotas, a mais recente há pouco, nesta quarta-feira de Cinzas, no 1 a 0 para o São Bento. Em casa.

Resultados em si nem sempre refletem o desempenho de uma equipe. No caso corintiano, sim – e eis o que preocupa. A atuação não foi boa, diante de um adversário fraco, que teve o mérito de lutar e suar, qualidades corriqueiras para qualquer um que preze o que faz.

O Corinthians até teve posse de bola, que não representou grande coisa. Ciscou, apertou e criou pouco. O time de Sorocaba esteve perto, muito perto do segundo gol, e não de levar o empate. Ficou em vantagem com gol de João Paulo, no primeiro tempo, e se fartou de usar o contragolpe como alternativa para ampliar a diferença. Passou raspando para dar certo.

Carille mexeu na defesa, com a estreia de Henrique, apostou em Marquinhos Gabriel no meio e foi com Júnior Dutra no meio do ataque. No mais, apelou para os jogadores da campanha do título nacional de 2017, incluído Romero. O Corinthians não funcionou. A magia anterior desapareceu.

O treinador ainda fez alterações, até com a entrada de Danilo no lugar de Gabriel, Camacho na vaga de Jadson e Clayson em substituição a Marquinhos. Na prática não deu em nada. A estabilidade, a calma, a consciência do que fazer, que foram características decisivas para vitórias no Brasileiro, ainda não deram o ar da graça em 2018.

O Corinthians de hoje deixa o torcedor com a pulga atrás da orelha. E é pulguinha chata, daquelas que incomodam, que provocam coceira e desconforto.

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