Corinthians e as limitações dos times reservas

Antero Greco

17 de junho de 2012 | 23h48

A derrota do Corinthians por 1 a 0 para a Ponte Preta, na noite deste domingo, mostra as limitações dos elencos dos grandes clubes. Nossas equipes de ponta em geral têm 11 titulares de boa qualidade, mais uns três ou quatro reservas razoáveis. O restante é um deserto só.

Por isso, há disparidade muito grande de desempenho, quando entra em campo só a turma que costuma frequentar o banco. Ou o time alternativo, como agora virou moda chamar os regra-três, para ficar no politicamente correto.  O pessoal que compõe elenco não consegue segurar o rojão, ao contrário do que ocorre com os poderosos na Europa, que montam duas formações quase do mesmo nível.

O Corinthians tem exposto essa deficiência, que afinal não é apenas dele, mas de todos os bons daqui que se aventuram a disputar duas competições simultaneamente. Os reservas alvinegros, isoladamente, têm dado conta do recado, ao se misturarem aos titulares. Aliás, alguns como Júlio César e Liedson (e até Willian) foram figuras constantes na campanha do título brasileiro do ano passado e até recentemente estavam no time de cima. Mas, todos juntos, não rendem bem.

Isso ficou evidente diante de uma Ponte também limitada, porém, completa e empolgada. A equipe de Campinas foi melhor do que o Corinthians e mereceu vencer até por placar mais generoso (Roger perdeu chance incrível no segundo tempo). Em todo caso, aproveitou a fragilidade do adversário e deu uma melhorada em sua situação na Série A.

É chato para um campeão perder quatro de cinco jogos disputados e se contentar com um empate? Claro que é. Chato segurar a lanterna? Bota chato nisso. O torcedor só não cobra porque está à espera de que objetivo maior seja alcançado, o título da Libertadores. E Tite não quer correr riscos de desgastar os titulares justamente por conhecer até onde podem ir os reservas.

O problema dessa opção está no risco – a ser levado em conta – de falhar no torneio continental e depois ficar sem chance de manter a hegemonia nacional. Um temor, no entanto, não tira o sono corintiano: o rebaixamento. Primeiro, porque é possibilidade ainda remota para todos os integrantes da elite, num campeonato de 38 rodadas. Ameaça menor sobretudo para quem tem um time titular competente, como é o caso do Corinthians. Mas só o time titular.

 

 

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