Corinthians faz 3 em time amador… e festeja

Antero Greco

24 de janeiro de 2015 | 19h38

Mais de 25mil torcedores foram ao Itaquerão, na tarde deste sábado, dispostos a conferir de perto o que promete o Corinthians versão 2015, com Tite de volta ao comando. Viram o time ganhar do Corinthian Casual, da Sétima Divisão Inglesa, por 3 a 0, num encontro classificado como histórico, festivo, de pai para filho. E que mostrou o quanto o futebol brasileiro perdeu terreno, na comparação com o que se pratica mundo afora.

Quem olha pro placar pode dizer “Oba, que bom”. Mas, se soubesse que o primeiro gol surgiu só aos 36 minutos do segundo tempo, ficaria preocupado. Desde que tivesse um pingo de senso crítico. O quarto colocado do Brasileiro, bicampeão mundial, com jogadores que recebem salários milionários, demorou 81 minutos para vazar a defesa de timeco de bairro.

E não é disso que passa o Corinthian Casuals, um time de abnegados, que nem de longe sonha com a possibilidade de ascender para as divisões profissionais. Ainda assim, mostrou aplicação tática que muitos clubes da Série A nacional não têm. Resistiu ao Corinthians, que nem criou tantas oportunidades assim. Só ruiu depois que Danilo chutou e a bola desviou num zagueiro antes de ir pro gol. Os outros dois (Luciano aos 44 e aos 50) vieram já no relaxamento geral.

Pobre e enganador dizer que o Corinthian apelou para retranca, que estacionou ônibus dentro da área. Ora, a suposta diferença abissal entre os dois faria com que os ingleses optasse por tal estratégia. O pior é que, com a tática do medo, chegou algumas vezes à área brasileira.

O Corinthians nosso teve dificuldade para abrir uma defesa de amadores. E esse é o ponto. Ok que há caráter de pré-temporada, e portanto fase de ajustes. Mas não me conformo com atletas badalados não acertarem finalizações, não tentarem dribles ousados, não partirem para cima de um sparring menor, que na Inglaterra não significa absolutamente nada.

A questão nem é Corinthians. O entrave é o futebol brasileiro, com suas promessas inúteis, com ídolos de barro, com falsos brilhantes. Continuamos a nos iludir com a superioridade daqui ­e nos enrolamos na prática. E a crônica esportiva (da qual faço parte, com orgulho) ajuda, quando tenta alisar, só para não se desgastar com tal ou qual torcida.

Antes do jogo ouvi comentários a respeito de quanto poderia ser a goleada. Alguém até lembrou que o Corinthians uma vez ganhou (não lembro de quem) de 12 a 0. Em condições normais, é isso mesmo que teria de ocorrer, goleada, farra corintiana. Mas vivemos uma fase de exceção, e pra baixo.

Os  7 a 1 pra Alemanha estão longe de fazer parte do passado.