Corinthians e Tite mostram bom senso

Antero Greco

17 de outubro de 2013 | 22h34

Há quem torça o nariz, mas foi acertada a decisão de Tite e Corinthians estenderem a parceria ao menos até o fim do ano. Não faria sentido a demissão do treinador neste momento, apesar do retrospecto ruim da equipe no Campeonato Brasileiro. Não resolveria a crise e só traria mais dores de cabeça. Ao clube, sobretudo.

O Corinthians teria de arcar com prejuízo maior, ao ver-se obrigado e achar técnico para os jogos restantes. Quem toparia pegar abacaxi desse tamanho? Mano Menezes? Abel? Ambos sabem que serão valorizados se esperarem o encerramento da temporada. Para ambos, seria desgaste enorme arriscar-se a entrar numa barca que pode afundar.

O mais correto, por esse ponto de vista, é a manutenção de Tite. A troca seria apenas a resposta tradicional para as reclamações dos torcedores. Muitas vezes, trata-se de atitude covarde de dirigentes, que dessa maneira se eximem de culpa por fracassos. Desse jeito, cartolas e treinador assumem em conjunto o período de turbulência.

Mas há motivo superior para que Tite fique: ele foi o guia em biênio extraordinário na história do Corinthians, com os títulos da Libertadores, do Mundial, da Recopa, do Paulista e do Brasileiro. Seria injusto dispensá-lo como um qualquer.

Os fatos são claros: Tite não é mais um treinador que passou pelo Corinthians. Ele tem sido marcante e só merece despedida digna. Ou, o que seria ainda mais revolucionário, comandar uma reformulação como se deve, com critério e inteligência.

Mas essa é outra discussão.

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